Israel deporta brasileiro Thiago Ávila após apreensão de flotilha rumo a Gaza
Ativistas deportados por Israel
O governo de Israel deportou neste domingo (10) os ativistas Thiago Ávila, do Brasil, e Saif Abu Keshek, de origem palestina e espanhola, que haviam sido detidos ao tentarem acessar a Faixa de Gaza por meio de uma flotilha destinada a levar ajuda humanitária ao território palestino afetado pela guerra.
Os dois estavam entre os ativistas interceptados pelo Exército israelense em 30 de abril, em águas internacionais próximas à costa da Grécia. Após a detenção, foram levados a Israel para interrogatórios, enquanto os demais integrantes da flotilha foram encaminhados a Creta, onde foram libertados.
O Ministério das Relações Exteriores de Israel declarou que “uma vez finalizada a investigação, os dois provocadores, Saif Abu Keshek e Thiago Ávila, da flotilha de provocação, foram deportados hoje de Israel”. A pasta, no entanto, não mencionou as acusações de “pertencimento a uma organização terrorista”, que resultaram em mais de uma semana de prisão para os ativistas.
Flotilha humanitária
A flotilha, inicialmente composta por cerca de cinquenta embarcações, partiu de países como França, Espanha e Itália com a meta de romper o bloqueio israelense sobre Gaza e fornecer ajuda ao território devastado.
A detenção dos ativistas foi considerada “ilegal” pelo governo espanhol, que também afirmou que ocorreu “fora de toda jurisdição”. A onu exigiu a “libertação imediata” dos detidos.
Reação internacional
Israel reafirmou que não permitirá qualquer violação do bloqueio marítimo em Gaza. Em resposta à detenção, Espanha, Brasil e a ONU solicitaram uma rápida libertação dos envolvidos. Um tribunal israelense, no entanto, rejeitou um recurso contra a detenção.
A ONG israelense Adalah, que prestou assistência legal a Ávila e Abu Keshek, afirmou que as ações das autoridades israelenses constituíram um ataque a uma missão civil. A organização criticou a detenção, afirmando que “o uso da detenção e do interrogatório contra ativistas e defensores dos direitos humanos é uma tentativa inaceitável de suprimir a solidariedade global com os palestinos em Gaza”.
Condições de detenção
Durante a prisão em Ascalão, no sul de Israel, a Adalah denunciou “maus-tratos” e “abusos psicológicos” enfrentados pelos ativistas, que incluíram interrogatórios de até oito horas, iluminação intensa nas celas, isolamento total e deslocamentos com os olhos vendados, até mesmo durante consultas médicas. As autoridades israelenses negaram as acusações.
A diplomacia espanhola afirmou que Israel não apresentou qualquer evidência que comprovasse uma conexão de Saif Abu Keshek com o Hamas, que controla Gaza.
A primeira viagem da chamada Flotilha Global Sumud, realizada no ano anterior, também foi interceptada pelas forças israelenses nas costas do Egito e de Gaza. Israel controla todos os pontos de entrada em Gaza, que está sob bloqueio desde 2007.
A atual guerra em Gaza, que se intensificou em outubro de 2023, agravou a crise humanitária na região, levando a uma severa escassez de suprimentos e, em algumas ocasiões, a interrupção total da ajuda humanitária.
