Irã rejeita proposta dos EUA e intensifica controle no Estreito de Ormuz
Teerã considera as exigências de Washington como excessivas e estabelece um novo órgão para supervisionar a navegação e o tráfego de cabos submarinos na rota estratégica do Estreito de Ormuz.
Na última segunda-feira (18), o Irã anunciou que respondeu a uma nova proposta dos Estados Unidos visando o encerramento do conflito que se intensificou desde 28 de fevereiro, com a participação de EUA e Israel. Embora as trocas diplomáticas continuem, a imprensa estatal iraniana qualificou as demandas americanas como “excessivas”.
Até o momento, as duas nações realizaram apenas uma rodada de negociações diretas, em meio a um frágil cessar-fogo. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, afirmou em coletiva que as preocupações do país já foram comunicadas aos EUA, ressaltando que as conversas estão sendo mediadas pelo Paquistão.
Baqaei também reiterou as exigências iranianas, que incluem a liberação de ativos congelados e o fim de sanções históricas. “Esses pontos têm sido defendidos firmemente em todas as rodadas de diálogo”, destacou. Além disso, ele ressaltou a necessidade de reparações de guerra por parte dos EUA, considerando o conflito “ilegal e infundado”, e alertou que o Irã está “totalmente preparado para qualquer eventualidade” caso os confrontos se intensifiquem novamente.
Exigências americanas
Recentemente, a agência de notícias iraniana Fars revelou que Washington apresentou uma lista de cinco exigências, entre as quais se destacam:
- Restrição do programa nuclear iraniano a apenas uma instalação
- Transferência do estoque de urânio altamente enriquecido para os EUA
Por outro lado, os Estados Unidos não se mostraram dispostos a liberar os fundos iranianos bloqueados ou a pagar indenizações, condicionando a cessação das hostilidades à participação do Irã em negociações formais de paz.
A agência Mehr corroborou as críticas, afirmando que os EUA buscam obter concessões nas negociações que não conseguiram no campo de batalha, o que pode levar a um impasse.
Possíveis flexibilizações
Apesar das trocas de acusações, surgem indícios de possíveis flexibilizações nas negociações. A agência Tasnim informou que, ao contrário de propostas anteriores, o novo texto apresentado pelos EUA admite suspender as sanções sobre o petróleo iraniano durante o período de diálogo.
A contraproposta do Irã, enviada na semana passada, pedia o fim das hostilidades em todas as frentes, incluindo a campanha militar israelense no Líbano, além da suspensão do bloqueio naval dos EUA aos portos iranianos, em vigor desde 13 de abril.
Controle do Estreito de Ormuz
Um dos aspectos mais críticos nas negociações é o controle sobre o Estreito de Ormuz, uma rota vital para o escoamento global de energia, que o Irã tem mantido praticamente fechada desde o início do conflito. Teerã reafirmou sua intenção de continuar a administração dessa passagem.
Para formalizar esse controle, o Conselho Supremo de segurança Nacional do Irã anunciou a criação da Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico (PGSA). Em suas redes sociais, o novo órgão se declarou como a “autoridade legal e oficial” responsável pela gestão do trânsito na região.
A PGSA advertiu que a navegação na área sob sua jurisdição requer “total coordenação” e que qualquer travessia não autorizada será considerada ilegal. De acordo com a emissora estatal Press TV, os navios que cruzarem o estreito receberão instruções de tráfego por e-mail.
Ameaças à infraestrutura de telecomunicações
A intensificação do controle estratégico também pode impactar a infraestrutura global de telecomunicações. A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) indicou que os cabos submarinos de fibra óptica que atravessam o Estreito de Ormuz poderão ser submetidos a um sistema de licenciamento.
O braço ideológico das Forças Armadas iranianas alegou que o país exerce “soberania absoluta sobre o leito e o subsolo de seu mar territorial”, justificando a exigência de autorizações formais.
Enquanto isso, as tensões militares permanecem elevadas. A IRGC anunciou ter atacado, nesta segunda-feira, grupos armados na cidade de Baneh, na província do Curdistão, próximo à fronteira com o Iraque. Em comunicado à agência ISNA, a Guarda acusou militantes baseados no norte do Iraque de atuarem “em nome dos EUA e do regime sionista [Israel]” para contrabandear um grande carregamento de armamentos para o Irã.
