Irã pressiona EUA a optar entre acordo desfavorável e intervenção militar inviável
A tensão entre Irã e Estados Unidos permanece sem avanços desde a implementação do cessar-fogo em 8 de abril, após quase 40 dias de intensos confrontos e ataques coordenados por forças israelenses e americanas. Em resposta, a Guarda Revolucionária iraniana lançou um desafio ao governo americano, sugerindo que o presidente Donald Trump deve optar entre uma operação militar considerada “impossível” ou um “acordo insatisfatório” com Teerã.
Desde a declaração de cessar-fogo, as tentativas de mediação fracassaram, especialmente nas negociações realizadas em 11 de abril em Islamabad, que foram paralisadas devido a divergências significativas sobre questões como o bloqueio do Estreito de Ormuz e o programa nuclear iraniano. O serviço de inteligência da Guarda Revolucionária destacou que “a capacidade de decisão dos Estados Unidos diminuiu”, enfatizando a pressão sobre Washington.
Trump, por sua vez, expressou dúvidas sobre a aceitação de uma proposta enviada por Teerã, que inclui um plano com 14 pontos para encerrar o conflito em 30 dias. Em sua plataforma, Truth Social, ele afirmou que “não consegue imaginar que seja aceitável, uma vez que o Irã não pagou um preço alto o suficiente pelo que fez à humanidade nos últimos 47 anos”.
As exigências de Teerã incluem:
- Retirada das tropas americanas de áreas próximas ao Irã
- Suspensão do bloqueio dos portos iranianos
- Congelamento de ativos iranianos
- Pagamento de indenizações
- Suspensão das sanções
- Estabelecimento de um “mecanismo” para o Estreito de Ormuz
- Fim das hostilidades em todas as frentes, incluindo o Líbano
O Hezbollah, grupo aliado do Irã, iniciou ataques a Israel em resposta à morte do líder iraniano Ali Khamenei no primeiro dia da guerra, em 28 de fevereiro. Em decorrência disso, Israel ordenou a evacuação “urgente” de localidades além da zona de segurança que controla no sul do Líbano.
Embora a proposta iraniana tenha sido enviada através do Paquistão, detalhes adicionais não foram divulgados. A questão do programa nuclear do Irã, que gera desconfiança entre os EUA e Israel, não foi abordada na recente comunicação.
O conflito já causou milhares de mortes, especialmente no Irã e no Líbano, e suas consequências têm impacto significativo na economia global, com os preços do petróleo atingindo patamares recordes desde 2022. Apesar da interrupção dos bombardeios, o bloqueio aos portos iranianos continua, uma retaliação ao fechamento do Estreito de Ormuz, que antes da guerra era responsável por um quinto do consumo global de petróleo.
Quando questionado sobre a possibilidade de retomar os bombardeios, Trump foi evasivo, afirmando que “caso se comportem mal, se fizerem algo errado, vamos ver”. Ele indicou que a continuação das hostilidades poderia ser uma opção, mas preferiu notificar o Congresso que as ações contra o Irã “terminaram” por meio de uma carta.
