Irã denuncia EUA por suposta violação de cessar-fogo após bombardeios recentes
O Irã denunciou nesta terça-feira (26) uma violação do frágil cessar-fogo por parte dos Estados Unidos, após bombardeios que atingiram instalações de lançamento de mísseis e embarcações iranianas durante a noite. Os ataques podem prejudicar os esforços para encerrar o conflito que já dura meses.
O cessar-fogo, estabelecido em 8 de abril, foi seguido por um período de impasse e ameaças, mas ambos os lados relataram avanços nas negociações recentemente. Contudo, a situação se complicou com a decisão de Israel de intensificar sua ofensiva no Líbano e os ataques norte-americanos ao Irã. Segundo o Comando Central dos EUA (Centcom), as ações desta terça-feira focaram em locais de lançamento de mísseis e embarcações iranianas que tentavam colocar minas.
A UKMT, agência marítima britânica, informou que uma “explosão externa” danificou um petroleiro na costa de Omã, embora a tripulação e a embarcação não tenham sofrido danos graves.
Relatos da mídia estatal iraniana mencionaram explosões em Bandar Abbas, cidade costeira no sul do Irã, próxima ao Estreito de Ormuz. A Guarda Revolucionária do Irã anunciou que suas forças derrubaram um drone americano que havia invadido o espaço aéreo iraniano e também dispararam contra um caça F-35.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã declarou que “o exército terrorista dos EUA, que continua suas ações ilegais e injustificadas desde o cessar-fogo, cometeu uma grave violação do cessar-fogo na província de Hormozgan”. A chancelaria acrescentou que o Irã não hesitará em se defender de qualquer ato hostil, sem fornecer mais detalhes.
Declarações de Khamenei
O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, afirmou em uma declaração veiculada pela televisão estatal que os Estados Unidos estão perdendo influência na região e se afastando de seu antigo status no Golfo Pérsico. Ele ressaltou que “os Estados Unidos não têm mais um lugar seguro na região para lançar suas agressões” e que os países do Golfo não servirão mais como escudo para as bases americanas.
Desde o início do conflito, as autoridades iranianas cortaram completamente o acesso à internet. No entanto, nesta terça-feira, a organização Netblocks informou que a conexão foi “parcialmente” restaurada, embora não esteja claro se essa situação se manterá após o que foi considerado o “mais longo” apagão nacional da história do país. O vice-presidente Mohammad Reza Aref declarou que o governo começou a tomar medidas para restabelecer o acesso.
Avanços nas negociações
No campo diplomático, autoridades iranianas, incluindo o principal negociador Mohammad Bagher Ghalibaf e o ministro das Relações Exteriores Abbas Araghchi, viajaram para Doha em sua primeira visita desde o início da guerra. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baqaei, afirmou que eles chegaram a consensos sobre muitos dos temas discutidos, mas não garantiu que um acordo esteja próximo.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, durante uma visita à Índia, afirmou que um acordo ainda é viável e mencionou que as negociações estão focadas na redação do documento, prevendo que esse processo levará alguns dias. Segundo a agência de notícias Tasnim, as conversas também incluem o pedido do Irã para a liberação de cerca de 24 bilhões de dólares em bens congelados no exterior como parte das negociações para encerrar a guerra.
Desafios ao acordo de paz
As perspectivas de um acordo enfrentaram um novo obstáculo quando o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, prometeu “esmagar” o movimento islamista libanês Hezbollah, apoiado por Teerã. O Irã exigiu que qualquer acordo de paz também abranja os confrontos no Líbano. Na terça-feira, Israel solicitou a evacuação da cidade de Nabatiyeh, no sul do Líbano, em preparação para possíveis novos ataques.
