Irã critica seriedade dos EUA em diplomacia após saída do Paquistão

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, expressou dúvidas sobre a sinceridade dos Estados Unidos em relação à diplomacia, após concluir uma visita a Islamabad, onde se reuniu com autoridades paquistanesas. Em uma postagem em suas redes sociais, Araghchi afirmou ter “compartilhado a posição do Irã sobre uma estrutura viável para o fim permanente da guerra”, mas enfatizou que ainda é necessário verificar se os EUA estão realmente comprometidos com o diálogo.

Durante sua estadia em Islamabad, Araghchi apresentou as exigências do Irã para um acordo de cessar-fogo no Oriente Médio. Fontes da Reuters informaram que o chanceler iraniano entregou documentos que incluem tanto exigências quanto ressalvas de Teerã em relação às propostas americanas, embora os detalhes dos documentos tenham permanecido em sigilo. Após essa entrega, Araghchi deixou o país.

Decisão dos EUA

Logo após a saída de Araghchi, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que Washington não enviaria representantes para as negociações em Islamabad com o Irã. “Eu disse à minha equipe, há pouco, porque eles estavam se preparando para partir. E eu disse: ‘Não, vocês não farão um voo de 18 horas para ir até lá. Temos todas as cartas na mão. Eles podem nos ligar a qualquer momento, mas vocês não farão mais voos de 18 horas para ficar sentados conversando sobre nada'”, declarou Trump em uma conversa telefônica citada pela Fox News.

Tensões no Estreito de Ormuz

As incertezas em torno das negociações ocorrem em um contexto de crescente tensão entre os EUA e o Irã, especialmente em relação ao Estreito de Ormuz. Na quinta-feira (23), as forças armadas americanas apreenderam um petroleiro suspeito de contrabando de petróleo iraniano, intensificando o impasse. Isso ocorreu um dia após a Guarda Revolucionária do Irã ter tomado o controle de duas embarcações na região estratégica.

Além disso, o Irã atacou três navios cargueiros no estreito, capturando dois deles, o que agravou sua ofensiva contra a navegação na área, onde, em tempos de paz, cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo transita.

Impactos econômicos

O conflito já resultou em um aumento significativo nos preços da gasolina e afetou o custo de alimentos e uma variedade de outros produtos. O preço do petróleo Brent, referência internacional, superou os US$ 100 por barril, representando uma alta de 35% em relação aos níveis anteriores ao início das hostilidades. Apesar disso, os mercados acionários têm apresentado uma reação relativamente indiferente.

Na mesma quinta-feira, Trump também ordenou à Marinha americana que “atire para matar” qualquer embarcação que esteja instalando minas nas águas do Estreito de Ormuz, uma nova escalada nas tensões com o Irã. Em uma publicação na Truth Social, o presidente afirmou que a ordem se aplica a “qualquer barco, por menor que seja”, envolvido nessa atividade, e destacou que os navios-varredores de minas dos EUA já estão atuando na região. “Estou ordenando que essa atividade continue, mas em um nível triplicado”, acrescentou.

Com informações da Reuters, Estadão Conteúdo e AFP

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