Funcionário dos EUA se despede do Brasil após medida de reciprocidade do governo Lula
Um funcionário do governo dos Estados Unidos que atuava no Brasil decidiu deixar o país na última quinta-feira (23), após uma ação do Ministério das Relações Exteriores. A medida se deu em resposta à decisão da administração do ex-presidente Donald Trump, que havia convidado um delegado da Polícia Federal (PF) brasileira a deixar o território americano. Michael Myers, que colaborava com a PF desde 2024, viu suas credenciais retiradas pelo diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, no dia anterior.
Rodrigues afirmou que a retirada das credenciais de um policial de imigração dos EUA foi uma ação baseada no princípio da reciprocidade. Essa decisão ocorreu após o governo americano solicitar a saída do delegado Marcelo Ivo de Carvalho, que havia se envolvido na prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL) na semana passada. A confirmação do Departamento de Estado dos EUA sobre a situação foi divulgada no final da tarde de segunda-feira (20).
O Escritório para o Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado dos EUA declarou: “Nenhum estrangeiro tem o direito de manipular nosso sistema de imigração para, simultaneamente, contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos. Hoje, solicitamos que a autoridade brasileira em questão deixe o nosso país por ter tentado fazer exatamente isso”.
Em resposta à ação americana, o Itamaraty comunicou ao representante da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil a aplicação do princípio de reciprocidade. O ministério ressaltou que essa medida não foi precedida de qualquer pedido de esclarecimento ou tentativa de diálogo, conforme estipulado no parágrafo 7.3 do memorando de entendimento bilateral que regula a cooperação policial entre os dois países.
Nota do Itamaraty
O Itamaraty divulgou uma nota detalhando a situação:
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“Diante da confirmação de que um oficial de ligação da PF brasileira junto ao Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) em Miami foi informado verbalmente pelo governo dos Estados Unidos sobre a interrupção imediata de suas funções oficiais, o representante da embaixada norte-americana foi convocado ao Ministério das Relações Exteriores no final da tarde de ontem (21).”
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“O agente brasileiro atuava com base em um memorando de entendimento firmado entre os dois governos sobre a facilitação do intercâmbio de oficiais de ligação na área de segurança.”
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“A representante da embaixada foi informada que o governo brasileiro aplicará o princípio da reciprocidade diante da decisão sumária contra o agente da PF, que não foi precedida de qualquer pedido de esclarecimento ou tentativa de diálogo sobre o caso.”
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“A medida também ignora a boa prática diplomática de diálogo entre nações amigas, como Brasil e Estados Unidos, que mantêm relações há mais de 200 anos. Os termos da aplicação da reciprocidade foram comunicados verbalmente à representante da embaixada e envolvem a interrupção imediata do exercício de funções oficiais do representante norte-americano em território brasileiro.”
Essa sequência de eventos destaca a tensão nas relações diplomáticas entre os dois países, refletindo a complexidade das interações em um contexto de cooperação policial e imigração.
