Emirados Árabes Unidos anunciam saída da Opep a partir de maio
Os Emirados Árabes Unidos confirmaram sua saída da Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e da aliança Opep+, a partir de 1º de maio. A informação foi divulgada nesta terça-feira (28) pela agência estatal de notícias Wam.
A decisão dos Emirados reflete uma nova visão estratégica e econômica, com foco na evolução de seu perfil energético e no aumento dos investimentos em sua produção nacional. Segundo a agência, “chegou o momento de concentrarmos nossos esforços no que atende nossos interesses nacionais”.
Os Emirados se juntaram à Opep em 1967 e, ao longo dos anos, contribuíram de maneira significativa para o grupo, aceitando até mesmo sacrifícios em prol do coletivo. Entretanto, a recente saída de Abu Dhabi surpreendeu o mercado, especialmente após o desligamento do Catar em 2019 e das saídas do Equador e de Angola.
A Opep, que foi fundada em 1960 e atualmente conta com 12 membros, formou em 2016 a aliança Opep+, que inclui outros dez países, como a Rússia, com o objetivo de limitar a oferta de petróleo e estabilizar os preços em meio à crescente competição, especialmente dos Estados Unidos.
Nos últimos anos, os Emirados manifestaram divergências em relação às políticas do grupo, mas receberam tratamento preferencial para aumentar suas cotas de produção. Além disso, o país tem enfrentado tensões com o Irã, resultantes da ofensiva dos Estados Unidos e Israel contra a República Islâmica, iniciada no final de fevereiro.
Essas tensões impactaram diretamente a segurança no Estreito de Ormuz, uma rota crucial que transporta cerca de 20% do petróleo consumido globalmente, levando a um aumento significativo nos preços do barril. Uma fonte próxima ao Ministério de Energia dos Emirados comentou: “Dado o atual cenário no Estreito, os Emirados Árabes Unidos não desejam ser limitados por cotas quando a situação se estabilizar”.
A saída dos Emirados da Opep representa uma mudança significativa no equilíbrio do cartel e poderá influenciar as dinâmicas do mercado de petróleo nos próximos meses.
