Eleições no Peru: Keiko Fujimori e Roberto Sánchez disputam segundo turno
Com 99,94% dos votos contabilizados, Roberto Sánchez (Juntos por el Perú) garantiu sua vaga no segundo turno das eleições presidenciais do Peru, superando o candidato de extrema direita Rafael López Aliaga por uma margem de 18.799 votos. Keiko Fujimori, do partido Força Popular, lidera a votação do primeiro turno com 17,1% dos votos.
Os aproximadamente 27 milhões de eleitores peruanos retornarão às urnas em 7 de junho para decidir quem será o próximo presidente do país. A eleição deste ano destacou-se pelo número elevado de candidatos, com 36 nomes na disputa. Um dos presidenciáveis faleceu em um acidente de carro em março, e além da escolha do novo presidente, os eleitores votaram para eleger 60 senadores, 130 deputados e cinco representantes do Parlamento Andino.
Perfil de Keiko Fujimori
Graduada em administração de empresas pela Universidade de Boston, Keiko Fujimori é filha do ex-ditador Alberto Fujimori, que governou entre 1990 e 2000. Ele foi alvo de impeachment após fugir do país em meio a um escândalo de corrupção e foi condenado por violações de direitos humanos. O ex-presidente foi preso em 2005 durante uma visita ao Chile e extraditado ao Peru em 2007.
Keiko entrou na política em 2006, quando foi eleita a deputada mais votada da história do Peru, acumulando 600 mil votos. Ela já se candidatou à presidência em 2011, 2016 e 2021, mas não conseguiu vencer nenhuma das eleições. Em 2018, foi presa preventivamente em meio ao escândalo da Odebrecht, mas foi libertada após um curto período. A política, que se identifica com o fujimorismo, uma ideologia baseada nas políticas neoliberais de seu pai, prometeu expulsar imigrantes do Peru e buscar uma aproximação com os Estados Unidos.
Roberto Sánchez em Destaque
Roberto Sánchez é atualmente deputado federal, exercendo seu mandato de 2021 a 2026. Formado em psicologia, ele se candidatou ao Congresso pela primeira vez em 2006, mas não foi eleito. Em 2020, assumiu a secretaria de Desenvolvimento Social de Hural e, desde 2017, preside o partido Juntos por el Perú.
Sánchez, que foi ministro do Comércio Exterior e Turismo no governo do ex-presidente Pedro Castillo, deixou o cargo em dezembro de 2022, após a destituição do líder. Durante sua campanha, ele prometeu conceder indulto a Castillo, condenado a 11 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, e propôs a criação de uma nova constituição para o Peru.
Problemas nas Urnas
Após o encerramento da votação, Piero Corvetto Salinas, então chefe do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), revelou que 99,8% das seções eleitorais estavam instaladas, mas 211 zonas em Lima não funcionaram no dia da eleição. Isso resultou em 63.300 eleitores impossibilitados de votar. Salinas atribuiu a confusão a falhas da empresa responsável pela entrega do material eleitoral e pediu desculpas aos cidadãos pela espera.
A Junta Nacional Eleitoral estendeu a votação nas seções que não abriram até o dia seguinte, 13 de abril.
Atrasos na Apuração dos Votos
Em 18 de abril, a secretária-geral do Conselho Nacional Eleitoral (JNE), Yessica Clavijo, informou que os resultados do primeiro turno só seriam divulgados em meados de maio, devido à revisão de atas contestadas. O órgão recebeu 5.919 solicitações para recontagem de votos, motivadas por alegações de informações incompletas e ausência de assinaturas.
Instabilidade Política no País
O Peru enfrenta uma grave crise política, tendo apenas três presidentes que conseguiram completar seus mandatos desde 2000. Nesse período, cinco presidentes foram depostos e dois renunciaram. O último a finalizar o mandato de cinco anos foi Ollanta Humala, que deixou o cargo em 2016.
Desde então, o país passou por uma sequência de renúncias e destituições, incluindo a de Pedro Pablo Kuczynski em 2018 e a de Martín Vizcarra em 2020. Dina Boluarte assumiu após a destituição de Castillo em dezembro de 2022, mas também enfrentou um processo de impeachment em outubro de 2025.
Atualmente, José María Balcázar é o presidente interino e deverá entregar o cargo ao próximo mandatário após as eleições.
