Cinco anos após golpe de Saied, Tunísia enfrenta crise econômica e repressão política
Há cinco anos, o presidente tunisiano Kais Saied suspendeu o parlamento e governa por decreto, em um movimento que muitos apoiaram na esperança de superar a paralisia política e a corrupção. Contudo, as promessas de mudança não se concretizaram para a maioria da população.
De norte a sul do país, manifestações retomam o slogan da revolução de 2011: “emprego, liberdade e dignidade nacional”. A insatisfação atual é impulsionada por cortes no fornecimento de água e eletricidade, aumento dos preços, falta de remédios e dificuldades para garantir o básico para as famílias tunisianas.
A precariedade dos serviços públicos e o desemprego, que chegou a 17,4% em 2020 segundo o Banco Mundial, agravam a situação, especialmente nas regiões interiores e entre os jovens. A onda de calor que chegou perto dos 50 graus Celsius no verão intensificou a crise no abastecimento, com apagões que afetaram o bombeamento de água, forçando longas filas para obtenção de água potável.
Enquanto isso, o governo centralizou o poder após dissolver o parlamento e aprovar em 2022 uma nova constituição que ampliou os poderes presidenciais. Desde então, opositores, jornalistas e ativistas têm sido presos ou processados em casos que organizações de direitos humanos classificam como repressão política. Um exemplo é o julgamento de 37 pessoas acusadas de conspirar contra a segurança do Estado, com sentenças de até 66 anos de prisão, mantidas em apelação em 2025.
Críticas apontam para o enfraquecimento dos freios institucionais e restrições crescentes à sociedade civil. A autoridade rejeita as acusações, defendendo a legalidade das ações contra ameaças à estabilidade.
Apesar dos desafios herdados dos governos anteriores, a expectativa era que a nova gestão superasse as deficiências. No entanto, a combinação de problemas econômicos antigos com as limitações políticas atuais criou um contexto de insatisfação crescente entre os tunisianos.
Para muitos, como Rebh, moradora de Tunis, a luta é pela sobrevivência básica: “Não estamos pedindo o impossível. É sobre água e eletricidade. Queremos viver como humanos”.
Com informações de www.aljazeera.com.

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