Chanceler do Irã encontra Putin e critica EUA por impasse nas negociações
O Irã e a Rússia intensificam suas relações estratégicas em meio a um cenário tenso no Oriente Médio. Nesta segunda-feira (27), o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, chegou a São Petersburgo para se encontrar com o presidente da Rússia, Vladimir Putin. O encontro ocorre quase três semanas após um cessar-fogo que encerrou 40 dias de conflitos entre o Irã e Israel, aliado dos Estados Unidos.
Araghchi criticou a postura dos Estados Unidos, afirmando que a abordagem americana comprometeu o sucesso das últimas negociações no Paquistão. Ele declarou: “A postura dos Estados Unidos fez com que a rodada anterior de diálogos, apesar dos progressos, não atingisse os objetivos desejados”. O chanceler iraniano também destacou que a segurança da navegação pelo Estreito de Ormuz é uma “questão global significativa”.
Atualmente, o Irã mantém o Estreito de Ormuz fechado, uma decisão que será sustentada enquanto perdurar o bloqueio americano aos portos iranianos. Antes de sua visita à Rússia, Araghchi esteve em Omã e na capital do Paquistão, Islamabad, onde estavam previstas as negociações com os representantes dos Estados Unidos.
O presidente americano, Donald Trump, anunciou no último sábado que não enviaria seus enviados, Steve Witkoff e Jared Kushner, para Islamabad. A agência de notícias Fars informou que o Irã enviou “mensagens escritas” aos americanos, delineando suas “linhas vermelhas”, que incluem questões nucleares e a situação no Estreito de Ormuz.
Além disso, o portal Axios revelou que o Irã apresentou uma nova proposta para reabrir o Estreito de Ormuz e encerrar a guerra, embora tenha decidido adiar as discussões sobre a questão nuclear. A agência estatal iraniana, IRNA, confirmou o relato, sem contestar as informações.
Impacto econômico
A trégua entre o Irã e Israel está sendo respeitada até o momento, mas os efeitos sobre a economia global continuam a ser sentidos. Durante sua visita a Islamabad, Araghchi se reuniu com o comandante das Forças Armadas do Paquistão, Asim Munir, e com o primeiro-ministro Shehbaz Sharif, antes de seguir para Omã e retornar a Islamabad. O chanceler iraniano destacou em uma postagem na rede social X que as conversas em Omã focaram em garantir a passagem segura pelo Estreito de Ormuz “para o benefício de todos os amados vizinhos e do mundo”.
Por outro lado, a Guarda Revolucionária iraniana anunciou planos para flexibilizar o bloqueio.
Conflito no Líbano
Em outro ponto de tensão na região, Israel e o movimento Hezbollah trocaram acusações sobre a violação de uma trégua precária no Líbano. Ataques israelenses no sul do país resultaram na morte de 14 pessoas, incluindo duas crianças, enquanto o Exército israelense confirmou a morte de um soldado e ferimentos em seis outros.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que as forças de Israel estão lutando “com vigor” contra a milícia xiita, enquanto ambas as partes se acusam mutuamente de violar o cessar-fogo. O Hezbollah, que se envolveu no conflito após o ataque a Israel em resposta à morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, anunciou que tomará medidas contra as violações israelenses e a “ocupação contínua” do Líbano.
O governo libanês confirmou que entre os mortos nos ataques de domingo estavam duas mulheres e duas crianças, além de 37 feridos. Israel defendeu seu “direito de agir” contra “ataques planejados, iminentes ou em andamento”, conforme declarado por Netanyahu, que enfatizou que isso implica liberdade de ação não apenas em resposta a ataques, mas também a ameaças emergentes.
AFP
