Casa Branca anuncia encontro entre Lula e Trump para esta quinta-feira
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o líder dos Estados Unidos, Donald Trump, se encontrarão na próxima quinta-feira (7) em Washington, conforme confirmado pela Casa Branca. Este será o segundo encontro entre os dois, que já possuem um histórico de relações complicadas. Um funcionário da Casa Branca, que pediu para não ser identificado, afirmou à AFP que “o presidente Trump receberá o presidente Lula para uma visita de trabalho, onde discutirão questões econômicas e de segurança de interesse mútuo”.
A reunião, segundo informações, será marcada por um formato mais direto e pragmático, com foco em resultados concretos e menos formalidades. Em consonância com o padrão atual da Casa Branca, o encontro terá uma agenda fechada, evitando grandes eventos públicos e cerimônias simbólicas, como as que ocorreram durante visitas recentes, incluindo a do Rei Charles III.
Encontro pragmático
A estratégia em Washington é clara: a reunião será tratada como um encontro de trabalho, priorizando negociações políticas e econômicas. O vice-presidente Geraldo Alckmin destacou que essa é uma oportunidade valiosa para que Brasil e EUA assinem acordos em diversas áreas. Lula levará à mesa uma proposta de acordo para o combate ao crime organizado.
Alckmin comentou: “O presidente Lula já discutiu com Trump a necessidade de um acordo voltado ao combate de organizações criminosas transnacionais. Podemos colaborar muito nessa área, especialmente em controle de fluxo financeiro e investigações, que são temas extremamente relevantes”.
Discussões amplas
Além do combate ao crime organizado, outros tópicos que devem ser abordados incluem:
- Big techs
- Terras raras
- Data centers
- Política tarifária e não tarifária
Alckmin expressou otimismo em relação ao encontro, afirmando estar “muito confiante na ida do presidente Lula e no diálogo com o presidente Trump”.
Acordo recente
No mês passado, Brasil e Estados Unidos assinaram um acordo de cooperação para fortalecer o combate ao crime organizado transnacional. Esse acordo visa interceptar cargas ilícitas, como armamentos e drogas, entre os dois países, e inclui um programa para compartilhamento de informações em tempo real.
O avanço desse acordo ocorreu após o governo Trump manifestar interesse em classificar facções criminosas brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o comando vermelho (CV), como grupos terroristas, uma proposta que não é aceita pelo governo Lula. O projeto, denominado MIT (Mutual Interdiction Team), busca integrar esforços de inteligência e promover operações conjuntas, sendo liderado pela receita federal do Brasil, que trabalha em parceria com a Polícia Federal, em colaboração com a U.S. Customs and Border Protection (CBP).
As autoridades mencionam como exemplo a descoberta de um contêiner com peças de fuzil vindo da Flórida. Nesses casos, a intenção é que os americanos sejam notificados imediatamente para que possam iniciar investigações a partir do local de origem.
