Alemanha e OTAN solicitam fortalecimento da defesa europeia após saída de tropas dos EUA
O Pentágono anunciou a retirada de aproximadamente 5.000 soldados dos Estados Unidos da Alemanha no próximo ano, um movimento que intensifica as tensões nas relações transatlânticas. Essa decisão foi divulgada na sexta-feira, em meio a críticas do ex-presidente Donald Trump sobre a falta de apoio europeu em sua estratégia militar contra o Irã.
A medida representa cerca de 15% do total de 35.000 militares americanos atualmente estacionados no país europeu. O ministro da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius, minimizou a situação, afirmando que a retirada de tropas dos EUA da Europa já era esperada. “Nós, europeus, precisamos assumir uma responsabilidade maior pela nossa segurança”, destacou.
Prazo para a retirada
Conforme o porta-voz do Pentágono, o processo de retirada deverá ser concluído em um período entre seis a doze meses. A decisão ocorre em um contexto de críticas mútuas entre os líderes de Washington e Berlim. O chefe do governo alemão, Friedrich Merz, havia declarado anteriormente que os Estados Unidos carecem de uma estratégia clara em relação ao Irã, o que irritou Trump.
“Ele acredita que é aceitável que o Irã obtenha armas nucleares. Não sabe nem do que está falando”, respondeu Trump à declaração de Merz.
Reação da OTAN
A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) afirmou que está em diálogo com os Estados Unidos para entender melhor os detalhes da decisão. A porta-voz da Otan, Allison Hart, enfatizou a importância de os países europeus investirem mais em defesa: “Esse ajuste ressalta a necessidade de que a Europa assuma uma parte maior de sua responsabilidade em nossa segurança compartilhada”.
Desde o início de seu segundo mandato, a administração Trump tem adotado uma postura crítica em relação aos aliados europeus, acusando-os de não investirem o suficiente em segurança. O distanciamento entre Washington e Bruxelas foi intensificado pela aproximação dos Estados Unidos com Moscou durante a guerra na Ucrânia.
Alemanha e a segurança europeia
Pistorius ressaltou que a presença militar americana na Alemanha é benéfica para ambas as partes, servindo como um fator de “dissuasão coletiva” contra a Rússia. Além disso, as bases militares dos Estados Unidos na Alemanha são utilizadas para proteger interesses de segurança na África e no Oriente Médio, incluindo a questão do Irã.
Em resposta à exigência da administração Trump por maior autonomia na defesa europeia, a Alemanha tem reforçado suas forças armadas, após anos de subfinanciamento. O país busca enfrentar a Rússia e reduzir sua dependência em relação aos Estados Unidos em questões de defesa.
Durante seu primeiro mandato, Trump já havia ameaçado diminuir o número de soldados americanos na Alemanha para 25.000, alegando que o país não investia o suficiente em segurança. Seu sucessor, Joe Biden, não implementou essa redução.
As bases americanas na Alemanha desempenham papéis cruciais nas operações no Oriente Médio. A base de Ramstein é especialmente significativa para mobilizações, enquanto Büchel abriga armas nucleares. O comando americano para a Europa e África está localizado em Stuttgart, e Grafenwöhr possui um extenso campo de treinamento, com Landstuhl servindo como um importante centro médico das forças armadas americanas.
