Acordo com Irã reduz preços de energia e pode facilitar corte de juros pelo Fed, afirma Hassett

O diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, Kevin Hassett, declarou neste domingo que um possível acordo entre os Estados Unidos e o Irã poderia reabrir o Estreito de Ormuz, uma rota crucial para o tráfego de petróleo mundial. Ele acredita que essa reabertura poderia resultar em uma queda significativa nos preços da energia, o que, por sua vez, facilitaria uma redução nas taxas de juros pelo Federal Reserve (Fed) em resposta à inflação.

Em entrevista ao programa Sunday Morning Futures, da Fox News, Hassett observou que a Casa Branca já nota uma mudança de comportamento no mercado, com compradores hesitando em adquirir petróleo à vista devido à expectativa de uma forte desvalorização dos preços.

O diretor evitou confirmar um anúncio definitivo, mas ressaltou que o presidente Donald Trump e o secretário de Estado, Marco Rubio, já indicaram claramente que um desfecho está próximo. Essa declaração foi feita no mesmo dia em que Trump mencionou, em uma rede social, que as negociações com Teerã estão progredindo de maneira “ordenada e construtiva”. Atualmente, os consumidores americanos enfrentam preços elevados de combustíveis, com a gasolina a mais de US$ 4,50 por galão e o diesel acima de US$ 5,50, enquanto o barril de petróleo se aproxima de US$ 100.

De acordo com um assessor de Trump, há uma quantidade significativa de petróleo estocada na região e capacidade de produção adicional, especialmente na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos, pronta para ser ativada. “Assim que um acordo for firmado, os estreitos serão reabertos e o fluxo de petróleo será restabelecido”, afirmou. Ele acrescentou que a normalização das relações poderá liberar uma oferta substancial. “Uma grande quantidade de petróleo pode ser disponibilizada no mercado”, completou.

Hassett também lembrou que, no início da crise, existiam previsões de que o barril de petróleo poderia ultrapassar US$ 150 caso o estreito fosse fechado, mas a cotação se manteve abaixo de US$ 100. “O petróleo surpreendeu ao cair de forma significativa. Espero que a gasolina também siga essa tendência assim que os estreitos forem reabertos”, disse.

Na visão de Hassett, a energia é um dos principais fatores de pressão sobre os preços, mas não o único. Ele mencionou que a desregulação, iniciativas para controlar os preços dos alimentos, o avanço da inteligência artificial e o aumento de investimentos estão influenciando o cenário inflacionário de maneira contrária. O núcleo da inflação, que exclui alimentos e energia, “quase não se alterou” nos últimos relatórios. “Muitas pessoas veem a energia como o único problema. Mas não é. E nem é a parte mais relevante da questão”, afirmou.

Com a diminuição dos preços da energia, Hassett previu a possibilidade de “inflação negativa” devido à queda nos custos energéticos. “Quando os preços da energia começarem a cair, a inflação pode se tornar negativa devido a esse efeito”, explicou. Nesse contexto, ele destacou que haveria “amplo espaço para o Fed agir de forma adequada e reduzir as taxas de juros”.

As declarações de Hassett surgem após a posse de Kevin Warsh como presidente do Fed, sucedendo Jerome Powell. O diretor elogiou a experiência de Warsh, que se tornou o governador mais jovem da história do Fed em 2008, e enfatizou que Trump espera uma gestão independente e fundamentada em dados. “Respeito a independência do Fed e a capacidade intelectual de Kevin Warsh. Estou confiante de que ele lidará com a situação com base nos dados”, concluiu.

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