Presidente da Assembleia da Guiné-Bissau é liberado para tratamento médico em Portugal

Domingos Simões Pereira, ex-primeiro-ministro, deixou prisão militar para cuidados de saúde em Lisboa, após acusações relacionadas a tentativas de golpe.

Domingos Simões Pereira, presidente da Assembleia Nacional Popular da Guiné-Bissau e ex-primeiro-ministro, chegou a Lisboa na noite de sexta-feira para receber tratamento médico. Ele estava detido por ordem do tribunal militar do país, acusado de envolvimento em tentativas de golpe de Estado em 2023 e outubro de 2025.

O histórico das acusações:

A prisão preventiva de Simões Pereira durou 60 dias sem acusação formal clara. As autoridades militares guineenses alegaram que ele teria ajudado a financiar as ações golpistas e cometido crimes financeiros. Ambas as tentativas de golpe ocorreram durante o mandato do ex-presidente Umaro Sissoco Embaló, deposto em 26 de novembro de 2025, após um golpe militar ocorrido na véspera da divulgação dos resultados das eleições gerais.

Contexto político recente:

Após o golpe que derrubou Embaló, que se exilou em países vizinhos, a Guiné-Bissau foi suspensa temporariamente da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP). A detenção de Simões Pereira motivou reações da CPLP, que condenou a prisão preventiva e pediu sua liberação imediata. A família do político também recorreu à Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) na 69.ª Cimeira Ordinária, realizada na Serra Leoa, pedindo o fim da detenção.

Motivos da libertação:

Documentos judiciais indicam que o líder do Partido Africano para a Independência da Guiné e de Cabo Verde (PAIGC) sofre de uma doença que não pode ser atendida adequadamente na Guiné-Bissau. A avaliação médica, feita por hospital militar local, recomendou a transferência para Portugal. Fontes judiciais confirmaram que a liberação tem base jurídica e humanitária, já que não havia justificativa para manter o político detido diante do diagnóstico.

Detalhes da chegada e recepção:

No aeroporto de Lisboa, Simões Pereira foi recebido por dezenas de apoiadores da diáspora guineense, que expressaram alívio por sua chegada em segurança. Durante entrevista, ele afirmou que planeja retornar à Guiné-Bissau e continuar atuando politicamente. “Eu não posso virar as costas ao meu povo”, declarou.

Reações oficiais:

O presidente da Assembleia da República de Portugal saudou a libertação de seu homólogo guineense, destacando que nenhuma democracia se fortalece quando seu líder parlamentar está privado de liberdade.

Contexto histórico da instabilidade:

Desde a independência em 1974, a Guiné-Bissau registrou cinco golpes de Estado e várias tentativas de derrubar governos. Essa instabilidade tem contribuído para problemas como corrupção, tráfico de drogas e pobreza generalizada no país.

  • Detenção inicial: Suspeita de liderar golpe em outubro de 2025
  • Prisão em 10 de julho: Retorno à cadeia gerou preocupação internacional
  • Golpe de Estado: Novembro de 2025, derrubada de Umaro Sissoco Embaló
  • Suspensão da Guiné-Bissau: Temporária da CPLP após golpe
  • Apelos internacionais: CPLP e CEDEAO pedem fim da prisão preventiva
  • Saúde: Transferência para Portugal para tratamento de doença grave

Com informações de pt.euronews.com.

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