PoderData: 53% dos brasileiros apoiam classificação de PCC e CV como organizações terroristas pelos EUA
Uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira (3) revela que a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o comando vermelho (CV) como organizações terroristas é vista como positiva por 53% da população brasileira. Em contrapartida, 33% consideram essa medida prejudicial ao país, enquanto 14% não souberam opinar.
O levantamento realizado pelo PoderData ouviu 2.500 pessoas em 166 municípios, abrangendo todos os 27 estados brasileiros. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos. A pesquisa foi feita após o anúncio do Departamento de Estado dos EUA, que incluiu as duas facções na lista de Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGTs) e de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs) no último dia 28.
Consequências da inclusão
A classificação implica em bloqueios financeiros geridos pelo Departamento do Tesouro dos EUA, além de sanções criminais e diplomáticas, como a proibição de entrada de membros no país e a ilegalidade de financiamento a esses grupos. Segundo as autoridades americanas, tanto o PCC quanto o CV são considerados as organizações criminosas mais violentas do Brasil, com redes que se estendem pela região e que impactam a segurança nacional dos EUA.
Reações políticas
A decisão foi anunciada após reuniões em Washington entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o ex-deputado Eduardo Bolsonaro e autoridades americanas, incluindo o secretário de Estado, Marco Rubio. Flávio Bolsonaro defendeu que esses grupos controlam territórios por meio da força e se infiltram em instituições, justificando assim seu tratamento como terroristas.
O Palácio do Planalto foi pego de surpresa com a decisão. O presidente Lula (PT) comentou que, embora essas facções sejam vistas como terroristas pela sociedade brasileira e mereçam ser combatidas, a medida estrangeira representa uma violação da soberania nacional.
O assessor especial Celso Amorim acrescentou que a cooperação internacional no combate à lavagem de dinheiro é bem-vinda, mas que usar essa questão como justificativa para intervenções é inaceitável.
