Governistas alertam sobre ameaça do PCC e CV, enquanto oposição comemora nova medida
O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira (28) a inclusão do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do comando vermelho (CV) na lista de Terroristas Globais Especialmente Designados. A decisão gerou reações divergentes entre a oposição e o governo brasileiro, com a primeira celebrando a medida e a segunda alertando para as possíveis repercussões para o país.
Em um comunicado, o assessor especial da Presidência da República, Celso Amorim, enfatizou que o crime organizado é um problema que deve ser enfrentado. Ele destacou a importância da cooperação internacional em questões como lavagem de dinheiro e contrabando de armas, mas advertiu que usar essa situação como “pretexto para intervenção” é inaceitável.
O líder do partido dos trabalhadores (PT) na Câmara, Pedro Uzcai (PT-SC), criticou a decisão dos Estados Unidos, atribuindo-a a uma suposta articulação da extrema-direita, liderada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Uzcai alegou que os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro buscavam apoio internacional para recuperar influência que perderam no congresso nacional.
Consequências financeiras
Uzcai alertou que a classificação das facções brasileiras pode trazer consequências financeiras severas e ampliar os danos à economia do Brasil. Ele ressaltou que, se instituições financeiras forem acusadas de envolvimento com essas organizações, o sistema financeiro poderá sofrer com a fuga de investimentos, sanções, bloqueio de ativos e restrições de crédito.
O deputado também mencionou que essa medida pode ameaçar milhões de brasileiros que vivem em áreas dominadas pelo crime organizado e prejudicar a cooperação penal internacional. Ele citou o Projeto de Lei nº 5.582/2025, conhecido como PL Antifacção, como uma estratégia de combate ao crime organizado.
Reação da oposição
Por meio de uma postagem no X (ex-Twitter), o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou que a nova classificação resultará em “consequências negativas” para o Brasil, qualificando-a como um “ataque brutal” à soberania brasileira. Farias destacou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva já está combatendo essas facções com operações da Polícia Federal e da receita federal.
O líder do Partido Liberal (PL) na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), comemorou a decisão, considerando-a um “grande dia para quem acredita em lei, ordem e justiça”. Ele criticou a tentativa do governo Lula de convencer os Estados Unidos de que o PCC e o CV não deveriam ser considerados organizações terroristas, afirmando que o ex-presidente “fracassou” nesse esforço.
Dimensão global do problema
O ex-secretário de segurança pública de São Paulo e pré-candidato ao Senado, Guilherme Derrite (PP-SP), comentou que a inclusão das facções na lista dos EUA reflete a gravidade da situação enfrentada pelo Brasil. Ele argumentou que o governo Lula subestima a seriedade do problema e que a decisão norte-americana reforça a necessidade de um combate mais rigoroso ao crime organizado.
Em suas postagens no X, Flávio Bolsonaro descreveu o dia como “grande” e mencionou seu encontro com o presidente Donald Trump, onde solicitou a classificação das facções.
A inclusão do PCC e do CV na lista de terroristas globais é vista como uma ação que pode ter repercussões significativas nas relações entre os dois países e na luta contra o crime organizado no Brasil.
