PCC é comparado à máfia italiana por Wall Street Journal: ‘Eficiência de multinacional’
O Wall Street Journal destacou em uma recente reportagem que o Primeiro Comando da Capital (PCC), originado em presídios de São Paulo, se tornou uma organização criminosa com a “eficiência de uma corporação multinacional”. A matéria compara o PCC à máfia italiana e o descreve como uma “potência global na rota da cocaína”.
A análise revela que, desde sua formação na década de 1990, quando detentos clamavam por necessidades básicas, o PCC cresceu para cerca de 40 mil integrantes. Hoje, a facção opera em quase 30 países ao redor do mundo, exceto na Antártida.
Estratégias discretas
O jornal ressalta que, ao contrário de narcotraficantes mexicanos ou milícias colombianas, os membros do PCC adotam uma postura discreta e focada em negócios. A reportagem observa que a facção busca “riqueza, não notoriedade”, evitando ações que possam chamar a atenção das autoridades.
Conforme o artigo, a adesão ao PCC requer a conformidade com um “rigoroso código de conduta”, com cerimônias de juramento que, em alguns casos, ocorrem por videoconferência.
Alianças internacionais
O PCC estabeleceu parcerias estratégicas com grupos como a ‘Ndrangheta da Itália, a Yakuza do Japão, além de gangues da Albânia e da Sérvia, facilitando o envio de toneladas de drogas para portos europeus, incluindo Antuérpia, Roterdã e Hamburgo.
Ameaça crescente nos EUA
Embora a Europa represente o mercado mais lucrativo para a cocaína do PCC, a facção já é vista como uma preocupação nos Estados Unidos. Autoridades paulistas identificaram uma “divisão norte-americana” do grupo. Em 2021, o Departamento do Tesouro dos EUA impôs sanções ao PCC e, em 2024, congelou bens de operadores financeiros vinculados à facção. Atualmente, há investigações em estados como Flórida, Nova York, Nova Jersey, Connecticut e Tennessee. Em Massachusetts, brasileiros associados ao PCC enfrentam acusações de tráfico de armas pesadas e fentanil.
Diante do crescimento e da sofisticação do PCC, policiais e promotores brasileiros estão pressionando o governo dos EUA a classificar oficialmente a organização como uma Organização Terrorista Estrangeira.
