Pesquisa revela alterações no sangue humano ligadas à elevação do CO2 atmosférico

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Estudo aponta mudanças químicas no sangue associadas ao aumento do CO2 no ar, com potenciais impactos na saúde ao longo das próximas décadas.

Novos dados indicam que o crescimento do dióxido de carbono atmosférico pode estar modificando a bioquímica do sangue humano. Cientistas de instituições australianas analisaram resultados de exames sanguíneos dos Estados Unidos coletados entre 1999 e 2020, verificando variações consistentes em marcadores como bicarbonato, cálcio e fósforo. Essas mudanças acompanham o aumento do CO2 no ar, que passou de aproximadamente 369 ppm em 2000 para mais de 420 ppm em 2026.

Bicarbonato, cálcio e fósforo apresentam tendências opostas nos últimos 20 anos. Enquanto o nível médio de bicarbonato no soro sanguíneo subiu cerca de 7%, os valores médios de cálcio e fósforo diminuíram no período estudado. O bicarbonato atua na regulação do equilíbrio ácido-base do organismo, ajustando-se conforme os níveis de CO2 respirados para manter o pH do sangue estável.

Além da análise dos dados coletados pelo National Health and Nutrition Examination Survey (NHANES), os pesquisadores consideraram o contexto da evolução humana, quando as concentrações de CO2 eram cerca de 280 a 300 ppm, significativamente inferiores aos valores atuais. O aumento anual médio do CO2 na última década foi de 2,6 ppm, chegando a 3,5 ppm somente em 2024.

As consequências para a saúde a longo prazo ainda são desconhecidas, mas o estudo chama atenção para possíveis riscos. O autor principal, o professor associado Alexander Larcombe, destaca que o organismo está respondendo às mudanças atmosféricas, mas a manutenção desse equilíbrio por décadas pode alterar processos fisiológicos. Modelos indicam que, caso a tendência se mantenha, os níveis de bicarbonato podem alcançar o limite superior da faixa saudável nos próximos 50 anos. Simultaneamente, cálcio e fósforo podem cair para os patamares mínimos aceitáveis ainda neste século.

O pesquisador Phil Bierwirth ressalta que a análise não confirma uma relação causal direta, porém observa que as alterações generalizadas no sangue apontam para uma possível falta de adaptação do corpo humano ao aumento da concentração de CO2 no ar. Ele enfatiza a importância de limitar a emissão de gases para evitar impactos ainda desconhecidos.

Este estudo sugere um novo aspecto da ameaça climática direcionada à saúde pública. A elevação do CO2 atmosférico pode demandar monitoramento não apenas ambiental, mas também biológico, acompanhando marcadores sanguíneos em conjunto com indicadores climáticos estabelecidos. Isso ajudaria a compreender os efeitos lentos e acumulativos das mudanças ambientais no organismo humano.

Principais pontos da pesquisa:

  • Duração da análise: dados coletados entre 1999 e 2020.
  • População estudada: aproximadamente 7.000 pessoas em ciclos bienais.
  • Alteração no CO2 atmosférico: aumento de cerca de 369 para 420 ppm.
  • Variação nos marcadores sanguíneos: aumento de 7% no bicarbonato; diminuição nos níveis de cálcio e fósforo.
  • Projeção futura: bicarbonato pode atingir limite superior saudável em 50 anos.

Além dos impactos diretos do aquecimento global, a pesquisa indica que o aumento do CO2 pode representar um risco adicional para a saúde humana, exigindo inclusão nas políticas climáticas e ambientais. Diminuir as emissões de gases de efeito estufa continua sendo essencial, não apenas para o clima, mas também para a prevenção de alterações fisiológicas que ainda não estão completamente compreendidas.

O estudo foi conduzido por equipes do The Kids Research Institute Australia, Curtin University e The Australian National University, incluindo o Wal-yan Respiratory Research Centre, destacando a importância da colaboração interdisciplinar para enfrentar os desafios trazidos pelas mudanças ambientais.

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Com informações de www.sciencedaily.com.

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