Colisão de asteroide há 800 milhões de anos pode ter desencadeado onda de impactos na Terra e outros planetas
Estudo do Southwest Research Institute aponta que fragmentos da família Eulalia provocaram impactos que influenciaram a geologia e possivelmente o clima terrestre.
Uma colisão violenta no cinturão principal de asteroides, ocorrida há cerca de 800 milhões de anos, pode ter causado uma série prolongada de impactos na Terra, na Lua e em Marte. A pesquisa, conduzida pelo Southwest Research Institute (SwRI), sugere que a fragmentação do corpo progenitor da família de asteroides Eulalia lançou detritos em direção aos planetas internos do sistema solar.
Contexto da pesquisa e importância
O estudo liderado pelo Dr. William Bottke, diretor-executivo da Divisão de Ciência e Exploração do Sistema Solar do SwRI, analisa como esses impactos antigos moldaram aspectos geológicos e talvez biológicos dos mundos envolvidos. Embora o evento mais conhecido de impacto que afetou a vida na Terra seja o Chicxulub, de 66 milhões de anos atrás, evidências anteriores são difíceis de examinar devido à reciclagem constante da crosta terrestre.
Por que a Lua é uma chave para entender o passado
A superfície lunar, desprovida de tectônica ativa ou erosão significativa, preserva crateras antigas que auxiliam na reconstrução da história de impactos. Análises de crateras e vidros de impacto coletados nas missões Apollo indicam um aumento considerável dessas ocorrências por volta de 800 milhões de anos atrás.
A conexão com a família de asteroides Eulalia
Utilizando modelos colisionais e dinâmicos, os pesquisadores relacionaram o aumento dos impactos à fragmentação de um asteroide carbonáceo primitivo situado próximo à ressonância gravitacional 3:1 com Júpiter, região conhecida por facilitar a migração de objetos para órbitas planetárias.
Mecanismos que impulsionaram os fragmentos
- Metade dos fragmentos entrou rapidamente na ressonância J3:1, espalhando-se pelo sistema solar interno.
- Durante os 100-150 milhões de anos seguintes, cerca de 25% adicionais foram levados para a ressonância pela ação do efeito Yarkovsky, uma força gerada pela emissão desigual de radiação térmica.
Impactos em múltiplos mundos e efeitos potenciais
Enquanto a Lua recebeu muitos desses impactos, a Terra, por ser maior e possuir maior gravidade, foi atingida por aproximadamente vinte vezes mais objetos de tamanho similar. Embora evidências físicas desses impactos antigos na Terra sejam escassas devido a processos geológicos, sua influência pode ter se estendido não apenas à formação geológica, mas também a mudanças climáticas e na biosfera, abrindo novas perspectivas para o entendimento da história planetária.
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Com informações de www.sciencedaily.com.
