Luiz Zerbini apresenta exposição com paisagens vibrantes e técnicas inovadoras no Instituto Tomie Ohtake
Artista paulistano explora monotipia para criar paisagens psicodélicas e destacar a relação entre arte e natureza.
O pintor Luiz Zerbini inaugurou a mostra “Estrelas Escolhidas” no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, reunindo cerca de 230 obras produzidas com a técnica da monotipia. A exposição, aberta ao público em 2024, destaca paisagens psicodélicas, onde troncos, folhas e galhos ganham cores saturadas que remetem a uma experiência sensorial intensa.
Técnica e processo criativo
Zerbini utiliza plantas reais para criar suas impressões: ele aplica tinta nas folhas, galhos e outros elementos naturais, pressionando-os contra papéis e tecidos. Essa abordagem, desenvolvida ao longo de dez anos, alia rigor quase científico à experimentação artística. A monotipia, pela sua imprevisibilidade, permite que cada obra traga surpresas e imprevistos, valorizados pelo artista como parte do processo.
Parceria e influências
O contato com a monotipia surgiu em 2016, quando Zerbini buscava uma maneira de incorporar plantas em suas esculturas sem sucesso técnico. O impressor João Sánchez apresentou a técnica, revelando sua capacidade para reproduzir uma variedade enorme de formas vegetais. O artista ressalta que seu trabalho está centrado na natureza, um tema que permeia sua trajetória desde o início e que tem destaque nas suas exposições recentes, como a realizada no MASP em 2022.
Dimensão socioambiental e cores únicas
Zerbini enfatiza a importância da biodiversidade brasileira e sua relação com questões sociais. A paleta usada na exposição é composta por tintas feitas por ele mesmo em seu ateliê no Rio de Janeiro, o que confere às cores uma intensidade singular. As obras transmitem desde atmosferas vibrantes até momentos de melancolia, sempre com um colorido impactante que não passa despercebido.
Objetos e o bastidor da criação
Além das pinturas, o artista exibe os materiais usados para produzir as impressões, como folhas, latas e pedaços de madeira. Essa escolha visa aproximar o público do processo artístico e desmistificar a ideia de genialidade inacessível, destacando que o trabalho envolve erros e experimentações que enriquecem o resultado final.
Contexto histórico
Zerbini, integrante da geração 80, foi fundamental para reintroduzir cores e vida ao contexto artístico brasileiro após um período dominado pela geometria abstrata e arte conceitual. Sua obra representa um diálogo constante entre a arte contemporânea e o meio ambiente, refletindo preocupações atuais sobre a preservação e valorização da natureza.
- Local: Instituto Tomie Ohtake, São Paulo
- Obras: Cerca de 230 monotipias
- Duração do trabalho: Cerca de 10 anos
- Técnica: Monotipia com plantas naturais
- Temática: Natureza, biodiversidade e questões sociais
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