Governo dos EUA classifica PCC e CV como organizações terroristas a partir de hoje

A partir de hoje, o governo dos Estados Unidos implementa uma nova política que classifica o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o comando vermelho (CV) como organizações terroristas. A decisão foi anunciada pelo Departamento de Estado em 28 de maio e visa desmantelar as operações financeiras e logísticas que sustentam essas facções, consideradas as mais violentas do Brasil.

Sanções econômicas e criminais

Com a nova classificação, os dois grupos serão alvo de sanções nas esferas econômica, diplomática e criminal. O objetivo principal é interromper as redes que financiam atividades ilícitas, como o narcotráfico. A designação como Terroristas Globais Especialmente Designados permitirá ao Departamento do Tesouro dos EUA bloquear o acesso a qualquer ativo financeiro do PCC ou do CV em instituições que operam sob a jurisdição americana. A Agência de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac) será responsável por essa ação.

A qualificação como Organizações Terroristas Estrangeiras traz consequências legais diretas para os membros e simpatizantes das facções. A partir de agora, qualquer integrante terá proibida a entrada nos Estados Unidos e será considerado crime fornecer apoio ou recursos a essas organizações.

Justificativa da decisão

O secretário de Estado, Marco Rubio, fundamentou a decisão com base na seção 219 da Lei de Imigração e Nacionalidade e na Ordem Executiva 13224. O documento ressalta que a influência do PCC e do CV ultrapassa as fronteiras do Brasil, impactando a segurança regional e a segurança dos EUA, especialmente por meio do narcotráfico.

O governo americano justifica que a medida é uma forma de proteger a segurança nacional e interromper o fluxo de receitas que financiam ataques contra policiais e civis. Essa ação integra uma estratégia mais ampla para combater o que é denominado narcoterrorismo e manter drogas ilegais fora das ruas dos EUA.

Trajetórias distintas das facções

O Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital têm origens e modos de operação distintos. O CV foi fundado na década de 1970 dentro do sistema prisional do rio de janeiro, adotando um modelo de controle territorial sobre comunidades. Por sua vez, o PCC surgiu em São Paulo em 1993, estabelecendo uma estrutura organizacional voltada para a logística do tráfico internacional de drogas e controle de rotas em áreas fronteiriças, como Paraguai e Bolívia.

Apesar de terem colaborado por muitos anos, a aliança entre as facções se rompeu em 2010, resultando em disputas pelo controle de presídios e rotas logísticas, o que gerou episódios frequentes de violência.

Com a nova decisão, tanto o PCC quanto o CV enfrentam uma pressão institucional e econômica sem precedentes por parte dos EUA, marcando um novo capítulo na luta contra o crime organizado transnacional.

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