Drones ucranianos atacam São Petersburgo antes de fórum econômico crucial
Drones ucranianos atacaram instalações de energia e militares em São Petersburgo nesta quarta-feira (3), a poucos dias do início do Fórum Econômico Internacional, que contará com a presença de diversas autoridades, incluindo o presidente Vladimir Putin.
Após mais de quatro anos de conflito na Ucrânia, as negociações para a resolução da crise permanecem estagnadas, enquanto ambos os lados continuam suas ofensivas. O Fórum, que acontece de 18 a 21 de junho, deve reunir cerca de 20 mil participantes de 130 países e já foi um importante ponto de encontro para atrair investidores ocidentais.
O Kremlin anunciou que dará “respostas sistemáticas” ao ataque, que ocorreu um dia após os bombardeios russos que resultaram na morte de 23 pessoas na Ucrânia. O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, classificou os ataques como “justos”, afirmando que a resposta se deu em decorrência da escalada de violência. Durante uma coletiva em Kiev, ele declarou: “Ontem houve um ataque em larga escala. Respondemos de acordo”.
Desespero russo
O secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, destacou que, à medida que a Ucrânia avança em seus objetivos militares, a Rússia demonstra um crescente desespero. Kaja Kallas, chefe da diplomacia da União Europeia, também comentou sobre a situação, afirmando que as ações russas refletem um “pânico” em resposta aos ataques ucranianos, que, segundo ela, são uma tentativa de desespero diante da realidade.
Danos em São Petersburgo
O governador de São Petersburgo, Alexander Beglov, informou que várias infraestruturas foram danificadas pelos drones, embora não tenham causado vítimas fatais. Zelensky mencionou que os ataques atingiram o terminal de petróleo de São Petersburgo e a base militar de Kronstadt. Esses eventos, que Kiev denomina de “sanções de longo alcance”, resultaram no fechamento temporário do principal aeroporto da cidade.
Autoridades ucranianas afirmaram que o objetivo era perturbar o evento, no qual Putin deve fazer um discurso na sexta-feira (5). Um jornalista da AFP observou fumaça no horizonte enquanto os delegados chegavam para as primeiras sessões do fórum.
Reflexo da rejeição
Desde o início da invasão russa à Ucrânia em fevereiro de 2022, o Fórum de São Petersburgo, anteriormente considerado o “Davos” russo, passou a ser um símbolo da exclusão de Moscou pelas potências ocidentais. Edições anteriores contaram com a presença de líderes de países como Alemanha, França e Japão.
Neste ano, a Rússia receberá apenas aliados, como os presidentes do Uzbequistão e da Tanzânia, além de ministros de países como Cuba, Belarus, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita. Também foram convidados indivíduos polêmicos de nações ocidentais, como a comentarista americana Candace Owens, o ator Steven Seagal e representantes do partido de extrema direita AfD da Alemanha.
O secretário-geral da onu, António Guterres, que condenou os ataques russos, participará de um painel sobre meio ambiente no evento. A Ucrânia intensificou seus ataques a instalações russas, considerando-os uma resposta legítima aos bombardeios de Moscou.
Um ataque ucraniano nesta quarta-feira também resultou na morte de sete pessoas em um ônibus que viajava entre Moscou e Simferopol, na Crimeia. As autoridades da região de Donetsk, controlada pelos russos, confirmaram o ocorrido.
