Fórum de Segurança critica decisão dos EUA sobre PCC e CV como reflexo das eleições
O Departamento de Estado dos Estados Unidos classificou, nesta quinta-feira (28), as facções brasileiras comando vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. A decisão, que entra em vigor em 5 de junho de 2026, foi recebida com críticas no Brasil, especialmente pelo Fórum Brasileiro de segurança pública (FBSP) e pelo Instituto Sou da Paz.
Repercussões da decisão
Em nota, o FBSP expressou seu descontentamento, afirmando que a decisão dos EUA é uma “escolha soberana”, mas lamentou a maneira como foi tomada. A instituição destacou que um tema com implicações significativas para a soberania e a autonomia do Brasil foi influenciado por disputas políticas internas.
A diretora-executiva do Instituto Sou da Paz, Carolina Ricardo, declarou à Jovem Pan que a única parte beneficiada pela decisão é o governo americano. Segundo ela, a classificação poderá dificultar a cooperação entre as instituições dos dois países. “A situação aqui no Brasil não será resolvida com essa medida”, acrescentou.
Histórico de cooperação
O FBSP ressaltou que Brasil e Estados Unidos têm uma longa trajetória de colaboração no combate ao crime, particularmente na troca de informações de inteligência relacionadas à lavagem de dinheiro. A expectativa é que essa parceria continue, apesar das novas classificações.
Detalhes da classificação
O governo americano designou os grupos como “terroristas globais especialmente designados” e “organizações terroristas estrangeiras”. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, confirmou a informação em sua conta na rede social X, afirmando que a administração continuará a utilizar todos os recursos disponíveis para proteger a segurança nacional e combater o tráfico de drogas.
Critérios de classificação
A autoridade para classificar indivíduos e grupos como “Terroristas Globais Especialmente Designados” é baseada na Ordem Executiva número 13.244, emitida pelo ex-presidente George W. Bush em resposta aos ataques de 11 de setembro de 2001. A designação é realizada em conjunto pelos departamentos de Estado e do Tesouro dos EUA, considerando que os grupos representem um risco de atos terroristas.
Para que uma organização seja considerada uma “Organização Terrorista Estrangeira”, deve:
- Ser estrangeira
- Estar envolvida em atividades que a legislação americana classifica como terroristas
- Representar uma ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos
A decisão dos EUA pode ter impactos profundos nas relações entre os dois países, especialmente na área de segurança pública e cooperação internacional. As autoridades brasileiras agora enfrentam o desafio de lidar com essa nova realidade, ao mesmo tempo em que buscam soluções para os problemas internos relacionados ao crime organizado.
