OMS proclama emergência global diante de surto de ebola no Congo

A República Democrática do Congo (RDC) enfrenta um grave surto de ebola, com 88 mortes registradas e 336 casos suspeitos da doença, segundo dados dos Centros Africanos para o Controle e a Prevenção de Doenças. A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou uma emergência de saúde pública de importância internacional após a confirmação de um caso na cidade de Goma, controlada por uma milícia apoiada por Ruanda.

O primeiro caso em Goma foi identificado em uma mulher que havia viajado para a cidade após a morte de seu marido, que também foi vítima do vírus. Jean-Jacques Muyembe, diretor do Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica da RDC, confirmou que a mulher estava infectada antes de chegar a Goma. O receio de uma disseminação acelerada aumentou com essa confirmação.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, expressou sua preocupação com a situação. Em uma postagem na rede social X, ele afirmou que a epidemia é uma emergência de saúde pública, embora ainda não atenda aos critérios para ser considerada uma emergência pandêmica.

A transmissão do vírus ocorre por meio de fluidos corporais, sendo que a pessoa infectada se torna contagiosa após o início dos sintomas. O período de incubação pode se estender por até 21 dias. A OMS classificou a situação com o segundo nível mais alto de alerta, indicando a gravidade do surto, embora a magnitude real ainda seja incerta. A organização ressaltou que a quantidade de casos pode ser muito maior do que o que está sendo relatado.

A ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) anunciou que está se preparando para uma resposta em larga escala. O ministro da Saúde da RDC, Samuel-Roger Kamba, destacou que a cepa de Bundibugyo não possui vacina ou tratamento específico e possui uma taxa de mortalidade que pode atingir 50%.

Este é o 17º surto de ebola registrado na RDC. A dificuldade de acesso a algumas áreas tem limitado a análise laboratorial de amostras, o que impede uma avaliação precisa da situação. A OMS alertou para um potencial aumento significativo de casos, com riscos de propagação tanto local quanto regional.

Nos últimos 50 anos, a doença causou quase 15.000 mortes na África, mesmo com os avanços em tratamentos e vacinas.

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