Argentina nega origem do surto de hantavírus em seu território
As autoridades da Terra do Fogo, na Argentina, minimizaram a possibilidade de que um casal holandês, relacionado a um surto de hantavírus em um cruzeiro, tenha sido infectado na cidade de Ushuaia, de onde o navio partiu. Em coletiva de imprensa realizada na última sexta-feira (8), o diretor provincial de Epidemiologia, Juan Petrina, afirmou que “a chance é praticamente nula”, embora tenha destacado que não pode afirmar isso categoricamente, pois “isto é biologia”.
O cruzeiro MV Hondius gerou um alerta sanitário devido ao surto da doença, que é transmitida por fezes, urina ou saliva de roedores infectados e não possui tratamento ou vacina disponíveis. Acredita-se que um passageiro tenha contraído o hantavírus antes de embarcar em 1º de abril, infectando outros a bordo. Até o momento, três passageiros faleceram: o casal holandês e uma mulher alemã.
Base científica da análise
Petrina fundamentou sua afirmação no período de incubação do vírus, no histórico sanitário da província e na trajetória dos passageiros. Ele ressaltou que o casal ficou apenas 48 horas em Ushuaia antes de embarcar, o que, segundo ele, não se alinha com os dados sobre a incubação da doença e a data de início dos sintomas reportados pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Além disso, a Terra do Fogo não registrou casos de hantavírus desde 1996. De acordo com o Ministério da Saúde argentino, a variante associada ao cruzeiro pertence à cepa Andes, que ocorre em outras províncias argentinas, como Chubut, Río Negro e Neuquén, além do sul do Chile.
Histórico de viagem
O casal holandês entrou na Argentina em 27 de novembro e percorreu diversas províncias do país, além de ter visitado o Chile e o Uruguai. Petrina mencionou que eles estiveram em uma região do sul do Chile que apresenta surtos ativos de hantavírus e uma alta taxa de letalidade.
Para investigar a situação, foi confirmado que equipes de pesquisa viajarão a Ushuaia para capturar e analisar roedores nas áreas visitadas pelo casal. Após deixar Ushuaia, o cruzeiro fez paradas em várias ilhas remotas.
Avaliação do risco
As autoridades sanitárias internacionais afirmam que o risco epidêmico é considerado “baixo”, uma vez que o hantavírus é menos contagioso que a covid-19. No entanto, estão monitorando os possíveis contatos de passageiro que desembarcaram antes do alerta.
