Lula evita câmeras para preservar imagem após críticas de líderes mundiais sobre Trump

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu com o líder dos Estados Unidos, Donald Trump, por quase três horas na tarde de quinta-feira (7). O encontro, que deveria ser transmitido ao vivo, ocorreu a portas fechadas, atendendo a um pedido de última hora do presidente brasileiro.

Após a conversa, Lula foi à embaixada em Washington e declarou a jornalistas que a reunião foi produtiva. Ele destacou que “as duas maiores democracias do continente podem servir de exemplo para o mundo” e considerou o encontro um “passo importante” nas relações entre os dois países.

Trump também comentou sobre a reunião em suas redes sociais, ressaltando que a conversa foi positiva e descrevendo Lula como “dinâmico”. O republicano afirmou: “A reunião foi muito boa. Nossos representantes devem se reunir para discutir alguns pontos-chave. Novos encontros serão agendados nos próximos meses, conforme necessário”.

Estratégia de Lula

A estratégia de manter o encontro privado foi bem recebida por aliados de Lula, especialmente considerando que, em reuniões anteriores, Trump gerou constrangimentos com líderes internacionais. Entre os incidentes, destacam-se:

  • Volodymyr Zelensky (Ucrânia) deixou uma reunião após ser chamado de ingrato pelo republicano.
  • Cyril Ramaphosa (África do Sul) foi confrontado com acusações de “genocídio branco”.
  • Mark Carney (Canadá) ouviu insinuações sobre “comprar” terras do país vizinho.
  • Sanae Takaichi (Japão) foi questionada sobre a falta de aviso sobre o ataque a Pearl Harbor durante a Segunda Guerra Mundial.

A comitiva brasileira optou por não permitir que Trump “controlasse a narrativa” em uma conversa pública. A avaliação é que o ex-presidente americano busca se exibir ao transmitir os encontros e ao dar espaço a jornalistas favoráveis à Casa Branca, como aconteceu na reunião com Zelensky, onde um repórter criticou o ucraniano por não estar vestido formalmente.

Resultados práticos

Ao manter o encontro em sigilo, aliados de Lula acreditam que ele conseguiu discutir questões essenciais com Trump, sem se preocupar com a teatralidade que o republicano costuma trazer. Os principais tópicos abordados foram:

  • Comércio
  • Tarifas
  • PIX
  • Crime organizado

Dessa forma, a reunião não apenas teve um impacto prático, mas também ajudou a preservar a imagem de Lula, que se prepara para sua campanha de reeleição. Diante de um cenário de estagnação nas pesquisas, enquanto seu principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL), ganha força, Lula aposta na boa imagem internacional para atrair eleitores indecisos.

Integrantes da base de apoio de Lula consideram que, ao evitar a armadilha de um encontro público, o presidente saiu fortalecido da reunião na Casa Branca. Um líder de oposição, que preferiu o anonimato, também reconheceu que a estratégia do petista foi eficaz.

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