OMS afirma que risco de hantavírus é baixo após mortes em cruzeiro

A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou neste domingo (3) a ocorrência de três mortes ligadas a um possível surto de infecção por hantavírus em um navio de cruzeiro no Oceano Atlântico. O incidente envolve o MV Hondius, um barco holandês que estava em rota de Ushuaia, na Argentina, até Cabo Verde.

De acordo com a OMS, o risco de disseminação do hantavírus é considerado “baixo”. No entanto, os passageiros do navio não receberam autorização para desembarcar na capital do arquipélago, Praia. Os hantavírus, que são transmitidos principalmente por roedores infectados, podem provocar problemas respiratórios e cardíacos, além de febres hemorrágicas.

Na manhã de hoje, um fotógrafo da AFP registrou a embarcação ancorada no porto de Praia. A operadora de turismo Oceanwide Expeditions reconheceu que a situação a bordo é uma “grave emergência médica”. A empresa confirmou que duas das mortes ocorreram no navio, enquanto a terceira vítima faleceu após desembarcar. Duas das vítimas eram de nacionalidade holandesa, e a origem da terceira ainda não foi identificada.

Risco considerado baixo

Hans Kluge, diretor regional da OMS para a Europa, tranquilizou a população, afirmando que “o risco para a população em geral permanece baixo” e que “não há motivo para pânico ou para impor restrições de viagem”. Ele ressaltou que as infecções por hantavírus são incomuns e não se espalham facilmente entre as pessoas.

Os hantavírus são transmitidos aos humanos por meio de roedores selvagens infectados, como ratos e camundongos, que eliminam o vírus por meio de saliva, urina e fezes. A infecção pode ocorrer através de mordidas, contato direto com os animais ou seus excrementos, assim como pela inalação de poeira contaminada.

A OMS está colaborando com os países envolvidos para fornecer assistência médica, evacuação e investigações relacionadas ao surto. Um passageiro permanece internado em estado crítico em uma unidade de terapia intensiva em Joanesburgo, e outros dois necessitam de cuidados médicos urgentes. Um paciente britânico também recebeu atendimento na África do Sul, conforme confirmado pela OMS.

Desembarque sem autorização

A operadora Oceanwide Expeditions informou que as autoridades holandesas estão trabalhando para repatriar “as duas pessoas que apresentam sintomas e que estão a bordo do MV Hondius”. O Ministério das Relações Exteriores da Holanda confirmou que está avaliando essa possibilidade.

Equipes médicas embarcaram para fazer a avaliação da saúde dos dois passageiros doentes, mas ainda não foi concedida a autorização para que eles sejam levados à terra firme. Maria da Luz Lima, presidente do Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP) de Cabo Verde, declarou que “o navio não recebeu autorização para atracar no porto da Praia” como medida de proteção à população local.

A operadora também informou que um caso de infecção por hantavírus foi confirmado no passageiro que está em terapia intensiva, mas ainda não se sabe se o vírus foi a causa das três mortes ou se está relacionado aos sintomas dos outros dois passageiros.

A OMS revelou que um caso de hantavírus foi confirmado, além de “cinco casos suspeitos”. Como não existem vacinas ou medicamentos específicos para tratar a infecção, os cuidados disponíveis são limitados ao alívio dos sintomas. A cada ano, cerca de 200 casos de síndrome pulmonar por hantavírus são registrados, especialmente nas Américas do Norte e do Sul, segundo dados do sistema público de saúde do Canadá.

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