Aumenta para 20 o número de mortos em atentado a bomba na Colômbia; 36 feridos

Um ataque com bomba no último sábado (25) resultou em 20 mortes e 36 feridos em uma estrada no sudoeste da Colômbia, a menos de um mês das eleições presidenciais, agendadas para 31 de maio. As autoridades atribuíram o atentado a rebeldes dissidentes da extinta guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que não aderiram ao acordo de paz firmado em 2016.

O ataque ocorreu no departamento de Cauca, uma região marcada pela violência e com grandes áreas dedicadas ao cultivo ilícito de drogas. O governador local, Octavio Guzmán, informou em uma postagem na rede social X que o número de civis mortos e feridos aumentou após a explosão devastadora, que inicialmente havia sido estimada em 14 mortos e 38 feridos.

De acordo com o Exército colombiano, a explosão atingiu um posto de controle montado pelos dissidentes, lançando mais de dez veículos a vários metros de distância. Imagens divulgadas pela AFP mostram a gravidade da cena, com corpos cobertos e uma cratera na estrada.

Reação do governo

O presidente Gustavo Petro classificou os responsáveis como “terroristas” e ordenou que as forças de segurança intensificassem a busca por eles. A violência na região de Cauca e no Valle del Cauca tem aumentado, com uma série de ataques que começaram um dia antes do atentado em uma base militar em Cali, que deixou dois feridos. Desde então, foram registrados 26 ataques.

Elizabeth Dickinson, diretora para a América Latina da ONG International Crisis Group, afirmou que o atentado revela um “desrespeito” pela vida dos civis. “A população civil frequentemente se vê presa no meio do conflito”, alertou. As facções armadas, lideradas por Iván Mordisco, o criminoso mais procurado da Colômbia, estão utilizando explosivos, drones e confrontos diretos para demonstrar seu poder na região.

Desafios à paz

Desde que assumiu a presidência em 2022, Petro tem tentado negociar a paz com as maiores organizações armadas do país, mas sem sucesso. A dissidência das Farc, sob o comando de Mordisco, abandonou o diálogo em 2024 e intensificou a pressão sobre civis e forças de segurança. A política de paz de Petro tem sido alvo de críticas por parte da oposição, incluindo ex-presidentes e militares reformados, que a consideram indulgente com os criminosos.

Após a assinatura do acordo de paz em 2016, grupos armados ilegais têm disputado o controle das receitas provenientes do tráfico de drogas, garimpo ilegal e extorsões. Dickinson observou que “o crescimento desses grupos com fins econômicos começou em 2016”, adicionando que a proposta de “paz total” do governo não conseguiu conter essa escalada.

O tema da segurança é crucial nas eleições presidenciais, nas quais o senador Iván Cepeda, considerado o sucessor político de Petro, aparece como favorito nas pesquisas.

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