Chanceler do Irã visita Paquistão após cancelamento de viagem por negociadores de Trump

As negociações entre Irã e Estados Unidos tiveram início há duas semanas em Islamabad, após a implementação de um cessar-fogo. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, retornou ao Paquistão no último domingo (26) para discutir o andamento das conversas, que contam com o país como mediador, mesmo após o presidente americano, Donald Trump, cancelar a viagem de seus enviados.

Araghchi se reuniu com autoridades paquistanesas para apresentar as “posições e opiniões do Irã a respeito de um acordo que vise o término completo da guerra” na região. Ele já havia estado em Islamabad no dia anterior, antes de seguir para Omã, enquanto outros diplomatas iranianos voltaram a Teerã para consultas sobre a situação.

Tensões nas negociações

Antes das reuniões no sábado, a Casa Branca havia anunciado que o enviado de Trump, Steve Witkoff, e seu genro, Jared Kushner, iriam ao Paquistão para dar continuidade ao diálogo. Contudo, Trump optou por cancelar a viagem, alegando que as discussões poderiam ser realizadas por telefone. Ele criticou a decisão de se reunir para “conversar sobre nada” e mencionou que o Irã havia revisado suas propostas logo após o cancelamento.

“Recebemos um novo documento muito melhor em menos de dez minutos após o cancelamento”, afirmou Trump a repórteres, sem fornecer detalhes adicionais.

Ceticismo iraniano

Durante sua visita, Araghchi descreveu as conversas como “muito frutíferas”, mas expressou dúvidas sobre o verdadeiro comprometimento dos EUA com a diplomacia. “Resta saber se os Estados Unidos estão realmente empenhados na diplomacia”, disse ele antes de embarcar para Moscou.

Pressão no Estreito de Ormuz

A pressão para encerrar a guerra aumentou devido ao bloqueio do Estreito de Ormuz, uma rota crucial para o transporte de petróleo e gás. A Guarda Revolucionária iraniana afirmou que não pretende suspender o bloqueio, que já impacta os mercados de energia. “Controlar o Estreito de Ormuz e manter a dissuasão sobre os EUA e seus aliados na região é a estratégia definitiva do Irã”, declarou a Guarda.

Em resposta, os Estados Unidos impuseram restrições aos portos iranianos. O exército iraniano alertou que a continuação do que chamou de “bloqueio, banditismo e pirataria” por parte dos EUA resultará em retaliação.

Conflito no Líbano

No cenário libanês, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, autorizou ataques contra o Hezbollah, acusando o grupo de violar o cessar-fogo. “As violações do Hezbollah estão, na prática, desmantelando o cessar-fogo”, afirmou Netanyahu em um vídeo divulgado após a reunião de seu gabinete.

O Hezbollah negou as acusações e prometeu responder a qualquer violação do cessar-fogo por parte de Israel. A mídia libanesa informou sobre bombardeios israelenses no sul do país, com a Agência Nacional de Notícias do Líbano relatando que aviões de guerra atacaram Kfar Tibnit, resultando em vítimas.

Os termos do cessar-fogo permitem que Israel atue contra “ataques planejados, iminentes ou em andamento”.

Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.