Trump destitui secretário da Marinha em meio a polêmica sobre nova frota de navios de guerra
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na quinta-feira, 23, a demissão do secretário da Marinha, John Phelan, em decorrência de desavenças com membros do Pentágono sobre a construção e aquisição de navios. A saída de Phelan foi comunicada pelo porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, na noite anterior, informando que ele deixaria a administração imediatamente. O subsecretário da Marinha, Hung Cao, assume interinamente o cargo.
Trump comentou a decisão durante uma entrevista no Salão Oval, afirmando que Phelan era uma pessoa enérgica, mas que enfrentou conflitos, principalmente relacionados à construção de novos navios. “Sou bastante agressivo nesse aspecto e, de alguma forma, ele não conseguia se adaptar a isso”, destacou.
O presidente enfatizou a importância da harmonia nas Forças Armadas, afirmando que “é essencial se dar bem”, uma vez que a dinâmica entre os membros pode variar. Um funcionário do Congresso, que preferiu não se identificar, revelou ao The New York Times que o vice-secretário de Defesa, Steve Feinberg, expressou insatisfação com a gestão de Phelan em relação a uma grande iniciativa de construção naval, retirando dele algumas responsabilidades.
Tensões no Pentágono
A relação de Phelan com o secretário de Defesa, Pete Hegseth, também era problemática, marcada por discordâncias sobre estilo de gestão e questões de pessoal. O subsecretário da Marinha, Hung Cao, que está mais alinhado a Hegseth, contribuía para as tensões.
No final do ano passado, Trump havia se unido a Phelan para anunciar a criação de uma nova “Frota Dourada”, composta por navios de guerra avançados, com previsão de início de construção a partir de 2030. A proposta orçamentária de Defesa do governo para 2027 destina mais de US$ 65 bilhões para a aquisição de 18 navios de guerra e 16 embarcações de apoio, parte dessa iniciativa.
Trump declarou que esses novos navios seriam os mais rápidos e poderosos já construídos. Segundo informações da BBC, o plano inclui uma expansão da Marinha dos EUA, com embarcações tripuladas e não tripuladas, além de navios armados com mísseis.
Mudanças na liderança da Defesa
A demissão de Phelan ocorre em um contexto de mudanças frequentes nas lideranças do Departamento de Defesa desde o início do segundo mandato de Trump. Logo na primeira semana, a comandante da Guarda Costeira, almirante Linda Fagan, foi demitida. No mês seguinte, o chefe do Estado-Maior Conjunto, Charles Q. Brown, também deixou o cargo, em uma reformulação que resultou na exoneração de outros seis oficiais.
Em abril do ano passado, o general Timothy Haugh foi destituído da direção da Agência de segurança Nacional (NSA), em meio a uma série de demissões na área de segurança nacional. Quatro meses depois, Hegseth promoveu mais três demissões no Pentágono, incluindo a do tenente-general Jeffrey Kruse, responsável pela agência de inteligência.
Recentemente, o chefe do Estado-Maior do Exército, general Randy George, também foi demitido por Hegseth, que não apresentou explicações, mas fontes indicaram que a decisão foi influenciada por tensões entre o chefe do Pentágono e o secretário do Exército, Daniel Driscoll. Na mesma semana, outros dois altos oficiais foram exonerados, incluindo o líder do Comando de Transformação e Treinamento do Exército, general David Hodne.
A reestruturação contínua das lideranças militares reflete a abordagem agressiva de Trump em relação à defesa e à segurança nacional.
