Professora brasileira opta por morte assistida na Suíça em busca de descanso eterno

A professora Célia Maria Cassiano, natural de Campinas, interior de São Paulo, realizou um procedimento de morte assistida na Suíça, conforme anunciado em suas redes sociais na última quarta-feira (15). Em um vídeo, Célia afirmou: “Vou descansar para sempre, como todos nós vamos, né?”.

Diagnosticada em outubro de 2024 com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), uma doença degenerativa, a professora havia viajado para a Suíça há uma semana e compartilhava experiências de passeios pelo país. Na quarta-feira, ela divulgou o vídeo abordando sua decisão de optar pelo suicídio assistido.

Trajetória acadêmica

Célia formou-se em Ciências Sociais e obteve um mestrado em Multimeios pela Unicamp. Atuou como docente na área de artes no Sesc e na Esamc, em Campinas. Desde o diagnóstico, ela utilizou suas redes sociais para relatar sua rotina de tratamentos e expressou seu desejo de buscar uma “morte digna”. “Estou super afiada intelectualmente, mas fisicamente estou sendo destruída pela doença. Avaliei bem e decidi que iria lutar pelo meu direito de ter uma morte digna, uma morte assistida”, declarou.

Busca por apoio

Nos últimos seis meses, Célia tentou obter ajuda de diversos profissionais da área jurídica e médica no Brasil, mas ao perceber que não conseguiria realizar o procedimento no país, mudou sua estratégia. “Mudei de estratégia e decidi ir para fora. Tive um trabalho muito intenso para localizar uma organização na Suíça, onde o suicídio assistido é permitido por lei. No Brasil, tentei muita ajuda, mas quando eu dizia o que ia fazer as pessoas simplesmente fugiam, desconversavam”, relatou.

Documentação e preparação

Para conseguir os laudos necessários, Célia confessou que enganou alguns médicos, apresentando o processo como um “tratamento experimental” para a ELA. “Precisei de um advogado para me ajudar a retirar documentos no fórum. Eu disse para todos que estava vindo para a Suíça fazer um tratamento experimental da ELA”, explicou.

Reflexão sobre a vida

Célia expressou estar em paz com sua decisão, afirmando que não sentiu dor durante o processo, após ter enfrentado dificuldades com a falta de independência em atividades cotidianas. “Eu vivi uma vida deliciosa; esses últimos dias aqui foram os melhores da minha vida”, disse.

Por fim, Célia incentivou a luta por direitos no Brasil, clamando pela criação de uma legislação que possibilite a escolha de como as pessoas desejam morrer.

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