Irã promete atacar infraestrutura de energia regional em retaliação aos EUA

O Irã emitiu uma severa ameaça neste domingo (22), prometendo atacar as infraestruturas essenciais no Oriente Médio em resposta ao ultimato do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O líder americano advertiu que lançaria ataques a usinas de energia iranianas caso o estreito de Ormuz não fosse reaberto em 48 horas.

Tensão crescente

A escalada de ameaças levanta preocupações sobre as usinas nucleares, em meio a uma guerra que já impacta a economia global, especialmente com a alta do preço do petróleo, que pode resultar em inflação. Trump, sob pressão devido ao aumento dos preços dos combustíveis em um ano eleitoral, exigiu que o Irã reabra uma das rotas marítimas mais vitais do mundo.

Atualmente, o Irã mantém um bloqueio quase total do estreito, com apenas cerca de 5% do volume de navios transitando em comparação ao período anterior ao conflito, conforme dados da consultoria Kpler. O presidente dos EUA alertou que, caso o bloqueio persista, “os Estados Unidos atacarão e acabarão com suas diversas usinas elétricas, começando pela maior”.

Resposta do Irã

Em resposta, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, ameaçou causar danos “irreversíveis” às infraestruturas de energia, tecnologia da informação e dessalinização de água na região, advertindo que isso resultaria em um aumento duradouro dos preços do petróleo. O comando do exército Khatam Al Anbiya também declarou que fechará “completamente” o estreito se Trump concretizar suas ameaças.

Paralelamente, o exército de Israel anunciou que está realizando ataques “no coração de Teerã”. Uma moradora da capital iraniana, Shiva, expressou a angústia da população: “Todos nós perdemos o emprego, já não temos renda e não sabemos por quanto tempo vamos conseguir continuar assim”.

Conflito regional

O Hezbollah, grupo islamista libanês aliado do Irã, informou ter disparado foguetes contra soldados israelenses no norte de Israel. Na fronteira, um civil foi morto por um foguete lançado do Líbano. O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, declarou que as forças armadas têm ordens para destruir todas as pontes no sul do Líbano utilizadas para fins “terroristas”.

No sul de Israel, dois ataques com mísseis iranianos no sábado (21) resultaram em mais de uma centena de feridos e geraram pânico. Um dos mísseis atingiu uma área residencial em Dimona, onde se localiza um centro estratégico de pesquisa nuclear, deixando cerca de 30 feridos. A magnitude da destruição foi significativa, com escombros espalhados por toda a área.

Reação de Israel

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, prometeu que tomará medidas contra todos os líderes do Irã, afirmando: “Vamos atrás do regime”. O Irã justificou os ataques a Dimona como uma “resposta” a um suposto ataque “inimigo” contra suas instalações nucleares em Natanz. Entretanto, o exército israelense negou qualquer envolvimento nesse ataque, atribuindo-o às forças americanas.

A Organização Mundial da Saúde (OMS), através de seu diretor, Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou que os recentes ataques a instalações nucleares colocam o conflito em uma “fase perigosa”. Israel, considerado o único país do Oriente Médio com armas nucleares, mantém uma política de “ambiguidade estratégica” sobre sua capacidade nuclear.

Além disso, o Irã tem intensificado os ataques para desestabilizar o fornecimento global de petróleo, com recentes ações contra o Iraque e a capital saudita, Riad. Os Emirados Árabes Unidos relataram ter respondido a ataques com mísseis e drones.

Com informações da AFP

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