Um prato cheio para uma crise no Rio

Witzel e Bolsonaro se preparam para eleições de 2022, mas não se atentam a governar hoje.

As eleições terminaram com gosto de terceiro turno. Como é de costume, os que perderam se preparam para a próxima eleição, e os que ganharam se alinham para fazer o melhor governo possível e assim conseguir uma possível reeleição. Não foi o que aconteceu dessa vez.

O time dos que venceram voltado para direita está mais preocupado com o próprio futuro político e a permanência no poder do que com o legado que irão deixar com os seus governos, e iniciam uma guerra interna para mostrar quem vai comer a sobremesa, antes mesmo de preparar o almoço.

 

Wilson Witzel declarou abertamente ser pré-candidato à presidência em 2022, isso com 9 meses de mandato, por ter nadado na crista da onda bolsonarista em 2018, e sendo arrastado pelas correntes do WhatsApp que o ajudaram a se eleger. Jair Bolsonaro, com gosto de quem acabou de ser traído, começa seu jogo de luta pelo poder, o que era de se esperar de um presidente que foi parlamentar por mais de 27 anos. 

Nessa briga entre os poderosos está o Rio de Janeiro, que passa por uma crise fiscal, e é exatamente onde o presidente espera atacar. Seus parlamentares, que se intitulam “soldados do Bolsonaro”, viraram oposição ao Governo Witzel da noite para o dia, mas uma oposição sem embasamento técnico e muito menos ideológico, somente para proteger os seus. De Brasília vem o bombardeio ao estado que passa por um momento de recuperação econômica, e precisa ativamente da capital para ajudar a se reerguer.

 
Nesse momento, vemos a cara da “nova politica”: de um lado um presidente que usa a máquina e o partido para impor pressão em cima de um rival, que está com o Estado quebrado, e do outro um governador em seu primeiro mandato eletivo, mas que prefere pensar em como conseguir mais poder no futuro do que exercer a força que tem hoje.

 

No final, quem pagará a conta desse banquete será o Carioca, que às vezes é politicamente ingênuo, mas sempre implacável quando precisa cobrar o que foi prometido. No jogo pelo poder, os líderes esqueceram de alimentar exatamente aqueles que colocam a comida na mesa.

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