Os opostos se atraem

Lula e Bolsonaro usam a mesma estratégia para se manter no poder.

Os dois maiores líderes da política nacional, Bolsonaro e Lula, conseguiram uma façanha inédita para as terras tupiniquins: transformar a esquerda e a direita em uma única coisa. Todo o ano de 2019, que virou um terceiro turno das eleições que fizeram Jair Bolsonaro o presidente do Brasil, mostrou como o extremismo tem voz, mas não tem lado.

O monstro de Frankenstein criado por esses polos antagônicos tem nome: Eduardo Fauzi Cerquise, que tomou as páginas de jornais na última noite de Natal, por fazer um ataque terrorista ao prédio sede do canal humorístico “Porta dos Fundos”, expressando sua indignação contra um vídeo um tanto quanto polêmico feito no especial que saiu no Netflix.

Eduardo Fauzi já caminhou por ambos os espectros políticos. Em 2013, após ser preso por ser black bloc, recebeu apoio da militante de esquerda ligada ao PSOL, a Sininho, chegando a ter pessoas fazendo greve de fome no meio da Cinelândia como forma de protesto contra sua prisão. O mesmo Eduardo fez campanha para o presidente Jair Bolsonaro, chegando a apoiá-lo publicamente nas redes sociais em 2018.

Esse mutualismo eleitoral que Lula e Bolsonaro criaram só beneficia a eles mesmos, que se retroalimentam, elegem seus sucessores e aliados no meio dos gritos e dos xingamentos das redes sociais, e aniquilam qualquer pensamento que fuja dessa polarização.

Essa estratégia antiga, usada por Lula para conseguir colocar o PSDB e qualquer outro partido para a direita em 2002, foi usada recentemente pelo próprio Bolsonaro com o PSL e qualquer aliado que mova vírgulas contrarias ao seu pensamento.

Ambos isolados, mas firmes nas suas ideias, conquistam as maiores bases de eleitorados radicais no Brasil hoje. No meio dessa guerra, há todo um campo político de social-democratas, liberais, trabalhistas, socialistas, conservadores e aqueles que realmente não se definem em bandeiras, mas que gostariam de ver líderes trabalhando pelo país e não pela sua própria manutenção de poder.

No Brasil de 2020, onde ocorrerão as eleições municipais em outubro, que tendem ser um ensaio belicoso para 2022, ser realmente radical é ser equilibrado.

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