Amputar o braço para não pagar o tratamento

Governador prefere aterrar a estação do metrô da Gávea no lugar de lutar para fazê-la funcionar.

O Rio de Janeiro vive um caos na mobilidade urbana, e isso é vivido na pele de todo carioca no seu dia-a-dia. Independentemente de você andar de ônibus sucateados, de carro no engarrafamento ou até mesmo de bicicleta e a pé pelas calçadas, você está sempre tendo que lidar com a falta de planejamento urbanístico da cidade.

Quando anunciada a expansão do metrô para área da Barra da Tijuca, com as obras iniciadas em 2010, sentimos um ar de esperança para melhorar a vida do Carioca, que perde quase 200 horas no trânsito por ano, o que causa um rombo na economia de 36 bilhões de reais por ano por custo de deslocamento na cidade.

Havia um problema ainda maior, com a falta de planejamento da cidade, onde emprego e lazer ficam concentrados em zonas distantes e com afunilamento natural, não só dos cariocas, mas de diversos moradores de municípios no entorno que usam os serviços que a capital fornece, fazendo um verdadeiro caos urbano. Porém, estávamos dando passos em direção ao progresso.

Mas a febre da corrupção que assolou o Rio de Janeiro causou danos graves. A obra da linha 4 do metrô teve um superfaturamento de R$ 2,3 bilhões, com um planejamento que foi desfigurado deixando a população desassistida durante anos, além de um trajeto que afunilou os usuários com a criação um verdadeiro puxadinho do BRT da Alvorada até o Jardim Oceânico.

Mais anos se passaram, os culpados por causar essa febre foram presos, novos nomes foram eleitos; porém, a solução não é uma das melhores. A decisão tomada pelo governador Wilson Witzel é de, literalmente, tapar o buraco e esquecer que o projeto existe, alegando que o custo para criar a estação seria de R$ 1 bilhão a mais dos já R$ 8,5 bilhões já investidos.

Mas o preço para amputar também é alto; a estação, que hoje já se encontra inundada para não ceder o túnel e destruir os prédios vizinhos na Gávea, teria que gastar ainda R$ 119 milhões para aterrar tudo que foi construído. Tirando o custo para a cidade, que perde um ativo que poderia facilitar a vida do cidadão. Por mais que o atual Governador não tenha real responsabilidade pela infecção, ele tem o compromisso em achar a cura, e não simplesmente enterrar o problema.

Se o Witzel não mudar de opinião, teremos mais uma estação fantasma, copiando o erro de planejamento da plataforma Carioca 2, que ligaria o metrô à praça XV e, assim, às barcas. Como de costume, os governantes do Rio têm por anseio enterrar o passado.

Estação abandonada na Carioca. (REPRODUÇÃO/ O Dia)
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