Água podre, privatização e governador na Disney – literalmente

Os cariocas conseguiram provar nas torneiras de suas casas o verdadeiro sabor de uma má gestão do Governo do Estado.

Os cariocas conseguiram provar nas torneiras de suas casas o verdadeiro sabor de uma má gestão do Governo do Estado. No auge do verão carioca, com os termômetros da cidade batendo recordes de temperatura, a água servida veio na sua pior qualidade. Com gosto de barro, sujeira e tudo que há de ruim, a podridão da água que escorreu pelas torneiras das casas obrigou aqueles que proviam de um mínimo de recursos a fazer uma corrida para os supermercados no estilo Mad Max atrás de garrafas que subiram de preço, deixando o litro da gasolina no chinelo – e mesmo assim, sumindo das prateleiras no estilo promoção do Aniversário Guanabara.

Do outro lado, vemos a Cedae agindo como se tudo estivesse bem, declarando a potabilidade da água e tentando manter os seus violinistas tocando enquanto diversos cariocas estão dando entrada nos hospitais com sintomas de contaminação.

E o nosso governador, como bom gestor, já que a Disney não veio fazer um parque no Rio como o Witzel tinha dito, no estilo Maomé, ele foi até a Disney tirar férias. Abandonando o Estado e as crises que a gestão dele proporcionou, apenas fazendo um comentário simples e raso no seu Twitter 12 dias depois da crise ser instaurada.

Esse é o retrato de uma gestão guiada por indicações políticas, sem nenhum tipo de embasamento técnico. Para entender um pouco como as águas ficaram turvas, precisamos voltar ao Rio de Janeiro em 2018. Logo após o Pastor Everaldo – o dono do PSC – conseguir eleger Wilson Witzel, um juiz antes desconhecido que surfou na onda bolsonarista, iniciou-se o mando e desmando de indicações políticas, e o pastor conseguiu abocanhar partes estratégicas do governo como a Cedae, Detran e dezenas de cargos em pastas do governo.

No comando da distribuidora de águas, Pastor Everaldo colocou Hélio Cabral, que já trabalhou no conselho diretor da Samarco, empresa que ficou conhecida após o desastre de Mariana, no qual morreram 19 pessoas e um desastre ambiental com perdas incalculáveis. Cabral chegou colocando desordem na casa, demitindo 39 engenheiros, entre eles diversos profissionais que atuavam no controle da qualidade da água – o que, consequentemente, diminuiu o controle. Parecia até um ensaio para que tudo desse errado, e no final foi.

Mas a corda nunca arrebenta no elo das indicações políticas. Cabral continua no cargo, sem ao menos ser questionada a sua capacidade de guiar uma empresa do porte da Cedae, e quem foi exonerado o Diretor-Chefe da Estação de Tratamento de Água do Rio Guandu, que já contava com mais de 30 anos de experiência no cargo.

O objetivo final fica claro quando vemos que o Rio de Janeiro está em Recuperação Fiscal, sendo um dos acordos privatizar o sistema de distribuição e tratamento de esgoto do Estado. A Cedae, que já atua há mais de 40 anos, já é uma empresa que não presta um serviço de qualidade há tempos; basta olhar as condições dos rios da cidade ou as regiões mais carentes que logo vemos a ineficiência da Companhia. Mas sucatear uma estatal para abaixar o preço e vender mais rápido às custas de toda uma população é literalmente a gota d’água.

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