Esporte e educação tem tudo a ver

O aluno que faz esporte tem melhores notas, melhor saúde física e melhor saúde mental; por que não investir mais?

Puxe na memória: você certamente tem a lembrança de praticar algum esporte ou de participar de algum jogo com seus amigos na escola, sob supervisão ou não dos professores. Aqui no Rio de Janeiro, é comum que os alunos usem a hora do intervalo para uma partida de futebol, ou que utilizem o espaço dedicado à prática de esportes para brincar.

Embora a maioria de nós guarde a memória como um momento de lazer de nossas vidas, o esporte na escola tem um papel muito maior do que divertir a criançada. O British Journal of Sports Medicine afirmou, em um estudo publicado em 2016, que a atividade física regular nas escolas beneficia a saúde, tanto a curto quanto a longo prazo, aumenta a capacidade de raciocínio e o desempenho acadêmico, desenvolve a confiança, a autoestima e a motivação, além de fortalecer o relacionamento do aluno com a família, a comunidade escolar e os treinadores.

Atualmente, a Educação Física escolar também serve como forma de inclusão do alunado, reduzindo desigualdades. As práticas pedagógicas evoluíram e, se antes havia a segregação das atividades por gênero e separação por capacidade física, hoje a regra é a integração e o trabalho coletivo.

Desafios do esporte nas escolas do país

Levantamentos do extinto Ministério do Esporte apontavam que cerca de 55% das pessoas que praticavam esportes haviam iniciado as atividades em ambiente escolar. No entanto, o cenário brasileiro não é dos melhores: há pouco investimento e pouca infraestrutura para a prática esportiva nesses espaços.

Os números não são dos mais animadores: a ONU aponta que somente metade das escolas públicas do país contam com professores de educação física. Quanto à infraestrutura, seis em cada dez escolas públicas brasileiras não tem quadra para a prática de atividades físicas; se olharmos somente para as escolas municipais, são somente 27% das escolas que dispõem de espaço. A discrepância regional, por sua vez, é significativa: no sul, por exemplo, 47% das escolas têm local para esportes, enquanto no nordeste são somente 18%.

Caminhos possíveis para o esporte na escola

Num país em que 45% da população se declara sedentária, é muito importante que os investimentos ao esporte comecem da base, já que as estatísticas apontam que a maior parte das pessoas começa a praticar esportes em idade escolar.

A distribuição orçamentária deve observar, primeiro, as discrepâncias entre as regiões do país, com vistas a reduzir as desigualdades experimentadas entre elas. Além disso, é importante que as políticas públicas para o esporte pensem na diversificação das atividades oferecidas, já que, historicamente, o país tende a direcionar recursos a esportes de alto rendimento – como o futebol, por exemplo.

Além disso, é urgente levar a Educação Física a sério. Um relatório da Unesco aponta que as aulas de Educação Física são mais canceladas do que as das demais disciplinas; os professores, por sua vez, reclamam que não usufruem do mesmo status profissional que seus pares que lecionam, por exemplo, matemática e língua portuguesa.

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