Você sabe como se define os preços?

Entenda como o Alexandre Frota erra ao definir o aumento dos preços.

Um tema muito importante quando se trata de economia é o papel dos preços. E o que me estimulou a escrever esse texto foi o fato de um deputado com grande visibilidade mostrar tamanho desconhecimento de um assunto fundamental. Não só para o Alexandre Frota ou outros deputados, oferta e demanda parece um assunto mal compreendido por boa parte da população.

Para que entender como se formam os preços?

Caso você pretenda empreender, entender a formação dos preços nos auxilia a entender a interação do mercado. Explico: em uma economia de mercado, os preços são determinados pela interação entre consumidores, trabalhadores e empresas. De modo igual, se você deseja vender sua força de trabalho, o seu salário é o preço que você está disposto a receber por seu esforço, perdendo parte do seu lazer.

Vamos entender como isso funciona de forma mais simples:

Existe um modelo que é central para entendermos a economia que se chama “lei da oferta e demanda”.

A oferta nos informa a quantidade de mercadoria que um produtor está disposto a vender por determinado preço.

A demanda nos informa a quantidade de mercadoria que os consumidores estão dispostos a consumir pelo preço que está sendo ofertado.

Ou seja, existe um motivo para a determinação dos preços. Entender isso pode ser necessário para tomarmos decisões como: produzir um produto para vender X vender minha força de trabalho para ganhar um salário.
E como podemos fazer essa escolha? Vamos a dois exemplos práticos de elevação ou queda de preços de acordo com a oferta e a demanda.

Exemplo 1:

Estou pensando em vender chocolate. É uma boa ideia? Vejamos. Se você estiver pensando em vender próximo a páscoa, pode ser um ótimo negócio. Pois, há um aumento significativo da demanda por chocolates nessa época. Apesar da industria também aumentar a oferta, a demanda é tão alta que faz os preços dispararem.

Exemplo 2:

O mercado de trabalho também atende as leis da oferta e da demanda e, num ambiente com uma taxa de desemprego baixa (que não é o caso do país nos dias de hoje), ou seja, que tenha poucos trabalhadores dispostos a trabalhar, o salário tende a aumentar. Assim, a oferta de pessoas dispostas a trabalhar é pequena diante a demanda por trabalho das empresas. Nesse caso, mesmo que você esteja disposto a produzir seu próprio produto em uma boa época (como é o caso dos produtores de chocolate na páscoa), vender sua força de trabalho para uma empresa pode ser mais interessante, pois, o “preço” do seu trabalho está alto.

Notaram a importância de entender que a alta dos preços não é culpa ou oportunismo dos empresários? ponha-se no lugar de um. Se você quiser começar a produzir canetas hoje e por pura ganância resolve vendê-las ao preço de R$ 50,00 cada uma, provavelmente não venderá nenhuma, pois, não há demanda por uma caneta comum a esse preço. A não ser que sua caneta tenha algum diferencial que faça que as pessoas se interessem por ela e estejam dispostas a pagar esse preço.

Essa interação do mercado pode ser modificada pelo que chamamos de falhas de mercado, que é o caso de monopólios (caso das empresas de energia elétrica e correios) e oligopólios (caso dos bancos e empresas de telefonia), mas são casos específicos que têm dinâmicas particulares.

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