Poderia uma corporação ser considerada psicopata?

Desastres ambientais, uso de agrotóxicos, entre outros problemas, podem ser vistos por corporações como uma questão de custos e receitas e o impacto disso na vida das pessoas acabar ficando por conta de uma decisão puramente comercial.

Me diz, você acredita que acionistas de uma empresa poderiam optar por uma geração de riqueza de maneira sustentável em vez de uma geração de riqueza sem preocupação com a sustentabilidade que maximize seus ganhos? Fica o questionamento.

Apesar de ser um princípio de uma importante teoria econômica e ser visto como objetivo principal das empresas, maximizar o lucro pode não ser o critério mais indicado para a tomada de decisões financeiras e a atual realidade do mercado financeiro demonstra isso com o “fenômeno das startups”, há algumas que nunca deram lucro mas que ganham cada vez mais valor de mercado.

Reiterando o descrito acima, as empresas podem ter como objetivo maximização de lucros, aumentar seu valor de mercado e há mais um aspecto a ser levado em consideração: a maximização da riqueza do acionista e sustentabilidade. A riqueza dos acionistas de uma empresa é medida pelo preço de suas ações, e é determinada com base em seu valor econômico.

Junto a essa maximização, a sustentabilidade objetiva-se em preservar recursos tanto culturais, como ambientais, respeito às diversidades e redução da desigualdade social. Será que esse último item tem sido levado em consideração? Se não, quais as consequências da falta de preocupação com isso? Esse é o ponto de partida para a reflexão a respeito da pergunta título desse texto.

Certamente, desastres ambientais como o da cidade de Mariana e Brumadinho, ambas em Minas Gerais, nos fazem questionar como uma empresa pode ter assumido esse tipo de risco com a vida de milhares de pessoas analisando somente custos, receitas e tornando esse tipo de decisão meramente comercial, como se as instituições, se vistas como uma pessoa, não tivesse empatia e nem escrúpulos. Poderia uma corporação ser considerada psicopata?

Em certo ponto, se uma corporação for vista como uma pessoa jurídica, talvez seja possível traçar perfis de psicopatia em suas ações. Se tomarmos base as características que traçam o perfil de um psicopata, como pessoas transgressoras de regras sociais, impiedosas e desprovidos de sentimento de compaixão, culpa ou remorso, como descreve a psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva, autora do livro “Mentes Perigosas – O Psicopata Mora ao Lado”, podemos fazer uma certa analogia.
Lamentavelmente, esse legado de destruição ambiental, descuido com os recursos naturais e a saúde das pessoas, age como um imposto em que não há representação e deverá ser pago pelas gerações futuras.

Apesar dos casos citados acima, a sustentabilidade tem se tornado assunto central nas discussões atuais. Vale ressaltar que as corporações são um conjunto de pessoas e inevitavelmente participamos delas, sendo comprando seus produtos, trabalhando para mantermos seu funcionamento ou investindo em uma fração de seus papeis no mercado de ações e somente nós mesmos podemos mudar essa realidade.

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