Mínima histórica da taxa de juros não significa necessariamente crédito mais barato

O ano de 2019 foi de queda da taxa de juros e tendencia se manteve até o momento. O que isso significa?

Diante da queda da taxa de juros, muito se especula nos debates populares a respeito que isso efetivamente significa. Será que teremos acesso a crédito mais barato nos bancos? Não necessariamente.
A queda da taxa de juros significa, a princípio, duas coisas: há mais liquidez (mais dinheiro em circulação) na economia e os investimentos em títulos de renda fixa estão ficando menos atrativos. O primeiro, em razão do dinheiro poder ser visto como uma mercadoria e, dessa forma, atende as leis da oferta e demanda. Assim sendo, a grosso modo, visualizarmos a taxa de juros como o preço do dinheiro, uma maior oferta desse “produto” na economia significa um preço (juros) menor por ele. O segundo significado tem relação com o que é denominado de taxa SELIC (Sistema Especial de Liquidação de Custódia), que chamamos de taxa básica de juros. O Banco Central registra todas as operações relacionadas aos títulos escriturais do Tesouro Nacional pelo sistema SELIC. Os títulos públicos atrelados a esse sistema são a forma de renda fixa mais seguras que existe e, por esse motivo, esses títulos se tornam menos atrativos, pois, com a redução da taxa de juros, a rentabilidade deles também reduz.
Vamos a parte do crédito e o motivo da redução da taxa de juros não significar necessariamente uma redução dos juros dos produtos financeiros ofertados pelas empresas. Nesse sentido, vale lembrar que existe uma coisa chamada spread bancário, que é a diferença entre o custo da captação de recursos pelos bancos e o que eles cobram pelos empréstimos para pessoas físicas ou juríridas. Apesar de haver um esforço do Banco Central e do governo para reduzir essa diferença, o crédito é um produto inelástico (a procura por ele não reduz significativamente diante a um aumento no preço) e isso dificulta a redução dos valores cobrados, em parte isso pode ser explicado pela pequena quantidade de banco e a consequente baixa concorrencia nesse mercado.
A baixa taxa de juros, na verdade, pode ser vista como uma tentativa de reativar o consumo, com a injeção de liquidez na economia. Apesar dos dados a respeito do PIB de 2019 ainda não terem sido disponibilizados pelo IBGE, parece que o consumo reagiu e a expectativa desse ano é de um crescimento maior que o ano passado (vale lembrar que sistematicamente as previsões no começo do ano costumam ser mais otimistas do que o que efetivamente acontece ao longo do ano).
Diante das circunstâncias, podemos dizer que a queda da taxa da taxa de juros representou, mais do que nada, um estímulo a economia que teve o cosumo reativado em certo ponto e, diante das características da atual administração do BC, parece que voltaremos a ver as taxas de juros aumentarem novamente e ainda estamos longe de a vermos próxima de zero.

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