Médicos alertam para falta de sedativo em hospital.

Funcionários do hospital de referência para Covid-19 da Prefeitura do Rio denunciam falta de remédios para sedação.

Funcionários do Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, a unidade de referência para tratamento do coronavírus na rede da Prefeitura do Rio, denunciam a falta de remédios para manter os pacientes sedados.

A carência desse material teria provocado a morte de seis pessoas na UTI neste domingo (3).

O RJ1 apurou que medicamentos foram retirados do Hospital Ronaldo Gazolla ao longo da semana passada e levados para o hospital de campanha do Riocentro, feito pela prefeitura.

Funcionários também afirmam que do hospital de Acari foram levados respiradores, que ainda não estavam em uso.

Parte do estoque foi reposta ainda no domingo — mas em quantidade insuficiente, afirmam os profissionais.

Diretores discutem

O RJ1 teve acesso com exclusividade a uma conversa entre diretores do hospital de Acari.

“Precisamos fechar imediatamente o serviço”, escreveu um dos responsáveis às 15h30 de domingo. “A ausência de medicações vitais ao ser humano internado é fundamental para garantirmos a dignidade do atendimento”, continuou.

Outro diretor confirma. “Neste momento nosso Hospital Ronaldo Gazolla está sem Midazolam e sem Fentanil. Drogas imprescindíveis para a sedação de pacientes no CTI e que está em ventilação mecânica”, afirmou.

“Sem essas drogas, junto com relaxante muscular, fica muito difícil o acoplamento ideal do paciente à prótese ventilatória”, explicou.

O RJ1 também teve acesso a dados do sistema de consulta do hospital. O medicamento Midazolam — usado em pacientes entubados para mantê-los em coma induzido — estava zerado no estoque na tarde deste domingo.

Também não havia Nerepirefrina — para manter a pressão — em quantidade suficiente para os 45 internados.

Sem transferência

Por causa da falta de medicamentos, os diretores decidem bloquear a transferência de pacientes para UTI do hospital.

Na conversa, uma pessoa diz: “Acabei de dizer ao Alexandre Campos que depender de empréstimos é ridículo.”

Ela se refere a empréstimos de medicação de outros hospitais. Alexandre Campos é membro do gabinete de crise da prefeitura.

Um diretor escreve: “Sugiro a transferência de pacientes para outras unidades com leitos disponíveis. Teremos infelizmente um número óbitos expressivo por falta de medicamentos.”

O que diz a prefeitura

Ao Blog do Edimilson Ávila, Alexandre Campos negou faltar remédio nas unidades sob gestão da prefeitura, mas admitiu que há, de fato, troca de materiais.

O gabinete de crise vai abrir uma sindicância para saber se houve erro no empréstimo desses insumos.

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