Jogo de empurra: Crivella e Witzel não querem hospitais da Zona Oeste

O prefeito quer devolver os hospitais, contudo, o governador não está disposto a reassumir as unidades.

O prefeito do Rio, Marcelo Crivella (PRB) enviou um ofício ao governador Wilson Witzel (PSC) dando um prazo até o dia 23 de setembro para que o estado reassuma os hospitais Albert Schweitzer, em Realengo, e Rocha Faria, em Campo Grande, as duas maiores unidades de saúde pública da Zona Oeste.

No documento, remetido ao Palácio Guanabara na última quarta-feira, Crivella afirma que rescindiu, de forma unilateral, um convênio celebrado entre o ex-prefeito Eduardo Paes e o ex-governador Luiz Fernando Pezão, em 2016, sob a alegação de que o estado não fez os repasses previstos no contrato. Witzel, contudo, não está disposto a reassumir as unidades. Tanto a prefeitura quanto o governo do estado atravessam crises financeiras.

Entenda

Em janeiro de 2016, na contramão da crise, o então prefeito do Rio, Eduardo Paes, anunciou  que o município assumiria a gestão dos hospitais estaduais Albert Schweitzer, em Realengo, e Rocha Faria, em Campo Grande, ambos na Zona Oeste da cidade.

Paes à época afirmou que, a transferência dos hospitais era “fundamental” e possibilitava ampliação da rede de atenção básica à saúde na região, umas das mais carentes do Rio.

Agora, o prefeito Marcelo Crivella cobra repasses mensais de R$ 6 milhões que foram prometidos por Witzel em junho, em entrevista coletiva ao lado de Crivella. Na ocasião, depois de o estado ter se recusado a receber os hospitais de volta, o governador acenou com a verba para ajudar nas despesas.

“O Estado do Rio de Janeiro descumpre reiteradamente os encargos a que se comprometeu a executar no âmbito do referido convênio”, diz um trecho do ofício de 32 páginas assinado por Crivella no dia 23 do mês passado. O documento destaca que o estado já havia sido notificado extrajudicialmente sobre as pendências em 10 de junho.

Mas o Estado, afirmou que apresentará “argumentos técnicos” para defender que as unidades permaneçam sob responsabilidade da prefeitura.

— O Albert Schweitzer e o Rocha Faria têm características que os tornam de atribuição da rede municipal, portanto não cabe ao estado administrar esses hospitais. Mas entendemos que é importante ajudar a prefeitura do Rio, como temos feito com outras cidades. Então vamos depositar R$ 6 milhões por mês para auxiliar na manutenção das duas unidades — disse o secretário estadual de Saúde, Edmar Santos ao O Globo.

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